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UMA CIDADE INTELIGENTE?

Nº30



04 DE SETEMBRO, 2015


Existem várias definições para conceituar uma cidade inteligente. Todas elas buscam direcionar o desenvolvimento e uso do espaço visando o bem estar de seus moradores. Seriam cidades humanizadas, onde o público é mais importante que o privado e onde é possível ter qualidade de vida dentro de uma selva de concreto.


Se considerarmos a cidade como o local onde as pessoas se concentram e interagem entre si e onde empresas e universidades, majoritariamente, exercem suas atividades, então podemos dizer que as cidades e seus atores sociais tem papel essencial na adoção de um modelo de vida mais sustentável, ainda mais colocando na conta as projeções que indicam que, em 2050, mais de 70% da população mundial estará vivendo nas cidades ao redor do mundo.


A Pangea Capital entrevistou o especialista no assunto, Daniel Merege, para contar um pouco das suas percepções e casos de sucesso pelo mundo, para guiar a nossa conversa sobre Cidades Inteligentes. Entusiasta do tema, ele viajou pelo mundo em 2014 para conhecer novas culturas e estudar o desenvolvimento dessas cidades na Austrália, Ásia e Europa.


Pangea - Na sua opinião, o que faz de uma cidade ser inteligente, ou uma “smartcity”?


Daniel:  Para mim, uma cidade começa a ser inteligente quando seu governo se abre para o novo e cria um ambiente favorável para a troca de ideias, para a inovação, para o empreendedorismo e para a participação social nas decisões sobre a cidade.

Muitos associam a tecnologia[1] com a cidade inteligente. Isso é válido, mas não é tudo. A tecnologia, para mim, é um meio que amplia nossa capacidade de tornar a cidade mais inteligente, e não um fim em si mesma. Não adianta ter alta tecnologia para a melhoria de um serviço público, se efetivamente o ambiente público e político não estiver interessado em implantá-la.


Pangea - Na sua percepção, quais as cidades mais avançadas globalmente na discussão sobre cidades inteligentes? Por quê?


Daniel: Muitas cidades no mundo estão discutindo neste momento seus futuros. Tive a oportunidade de conhecer algumas delas durante minha viagem pelo mundo, em 2014. No continente europeu, desde 2012, a Comissão Europeia criou um programa de parceria para a inovação em cidades inteligentes, incentivando cada vez mais cidades a aderirem a esse movimento. Santander[2], na Espanha, é um exemplo de uma cidade inteligente, por ter colocado a tecnologia a favor dos principais serviços públicos e da gestão municipal. A coleta de lixo, a iluminação pública e até a irrigação de jardins são feitas de maneira eficiente, utilizando tecnologia.

Cingapura, no sudeste asiático, também é exemplo quando se fala na aplicação tecnológica para melhorar os serviços públicos. É possível ver sensores espalhados pelas principais regiões da cidade, controlando diversos serviços, e acompanhando importantes indicadores, como o tempo, o trânsito, a poluição do ar, etc.

Há várias outras cidades globais nas quais também é possível ver iniciativas inteligentes, como Melbourne e Sydney, na Australia, e Nova Delhi[3] e Bangalore, na Índia. E essa lista só aumenta.


Pangea - Quais soluções internacionais lhe chamaram atenção em suas viagens e que poderiam ser facilmente adotadas no contexto brasileiro?


Daniel:  A cidade de Santander[4], no norte da Espanha, controla a coleta de lixo por meio de sensores de volume que ficam dentro das lixeiras. Os dados capturados desses sensores[5] definem a rota que os caminhões de lixo deverão seguir, diariamente. Há também as lâmpadas públicas inteligentes, que reduzem a emissão de luz, quando não detectam a presença de pessoas por perto. Na mesma cidade, há um projeto em testes com sensores sonoros conectados ao sistema de semáforos, em regiões próximas a hospitais, que permitem que ambulâncias encontrem apenas sinais verdes em seu caminho, e chegue ao hospital sem dificuldades no trânsito.

Na Austrália, o laboratório SMART[6], da Universidade de Wollongong, desenvolveu uma ferramenta de gestão pública por simulação, que auxilia decisores públicos a simularem o impacto de suas decisões sobre uma região ou cidade. Ainda na Austrália, em Melbourne[8], há um projeto chamado Melbourne Water[7], que controla o sistema de distribuição de água desde sua origem até a entrega para a população, utilizando tecnologia.

Há também soluções interessantíssimas voltadas para a mobilidade urbana, em cidades como Cingapura e Amsterdã. Nessas cidades, é possível saber com muita precisão os horários de partida e chegada dos ônibus, por exemplo, além de terem sistemas multimodais de transporte público (ônibus, metrô, VLT, bicicletas e trens) que, quando combinados, ofertam à população local um serviço de mobilidade urbana completo e abrangente.


Pangea - No Brasil, quais as cidades que podemos chamar de inteligentes?


Daniel: No Brasil, o Rio de Janeiro tem se destacado nesse assunto, pelo importante avanço que teve na adoção de tecnologia para a gestão pública e para o monitoramento de emergências, com o seu Centro de Operações. São Paulo também tem se mostrado bastante aberta para debater o tema, e incentiva cada vez mais inovações, por meio de seu programa São Paulo Aberta.

Uma cidade que ganhou destaque recentemente é Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, que tem sido chamada de cidade "100% digital". Vários serviços públicos de vários setores sociais, como saúde e educação, estão se apoiando na tecnologia para torná-los mais eficientes e criar valor efetivo para seus cidadãos e turistas.

Existem outras diversas iniciativas acontecendo pelo Brasil, que certamente devem ser consideradas iniciativas de Cidades Inteligentes. Isso é muito positivo para nosso país e devemos cada vez mais dar destaque a essas evoluções. Ainda estamos engatinhando, mas não estamos parados, e isso é motivo de reconhecimento e comemoração.


Pangea -  Nacionalmente, qual o tipo de fomento ou discussão devemos ter para que mais cidades se preparem para o futuro?


Daniel: Do lado do governo, há para mim dois grandes pilares que precisam existir para que haja a discussão sobre o futuro da cidade: gestão participativa e gestão aberta. É preciso que, de um lado, o governo abra suas portas e incentive a participação popular no debate e tomada de decisões, mas, também, abra os dados públicos para que, a partir deles, as empresas, universidades e os cidadãos-empreendedores possam melhorar ou criar novos serviços públicos para a cidade.

Do lado das empresas e universidades, há uma oportunidade de promover cada vez mais discussões e investir em pesquisas orientadas à solução dos desafios urbanos, como mobilidade, habitação, gestão administrativa, etc.

E, por fim, e essencial, está o papel das pessoas como cidadãs de fato. Ser usuário dos serviços que a cidade nos provê é parte dos nossos direitos. Mas também temos deveres sobre eles. As principais cidades que conheci ao longo da viagem pelo mundo tem em comum o fato de os seus atores sociais estarem engajados na construção de uma cidade mais inteligente, cada um contribuindo com seu conhecimento e tecnologia.


Equipe Pangea Capital


A Pangea, assim como Daniel Merege, acredita que a combinação de um governo aberto, com cidadãos engajados, empresas e universidades orientadas ao desenvolvimento de soluções para os desafios locais, e de tecnologia de ponta é a chave para a proliferação de Cidades Inteligentes no Brasil.



[1] http://www.smartcitiesfgvprojetos.com.br/galeria/colaboradores/new_colabore-d70a9500c00367b240d19dfb02a43874.pdf[2] http://thecityfixbrasil.com/2013/07/11/conheca-santander-a-cidade-inteligente/[3] http://www.smartcitiesfgvprojetos.com.br/galeria/colaboradores/new_colabore-aa701170581bfecfc3ffd3a54be5c461.pdf[4] http://www.smartcitiesfgvprojetos.com.br/galeria/colaboradores/new_colabore-e3e241b4fdb65b5189cf6db291d4f92b.pdf[5] https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/cidade-inteligente-em-santander-12-mil-sensores-enviam-informacoes-sobre-iluminacao-lixo-ar-e-transito/[6] http://smart.uow.edu.au/osgeo/index.html[7] http://www.smartcitiesfgvprojetos.com.br/galeria/colaboradores/new_colabore-dca9bf9faefdd65f1a6ac97b43c4086e.pdf[8] http://www.melbournewater.com.au/Pages/home.as

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