• Pangea

UM POR TODOS E TODOS POR UM?

Nº41



02 DE AGOSTO, 2016


Você sabia que o nosso planeta tem um limite para além dos geográficos que todos nós conhecemos?


Pois então, pensando em tais questões, em 2009, um grupo de cientistas liderado pelo Stockholm Resilience Centre (SRC) identificou nove dos chamados “limites planetários” - eles são, como o nome já diz, limites ambientais seguros, como uma espécie de cerca, dentro dos quais a humanidade pode se desenvolver sem que os impactos causados ao meio ambiente sejam irreversíveis. Esses limites levam em conta a taxa de resiliência do planeta, ou seja, a capacidade do planeta retornar ao seu estado natural após uma perturbação.


E o que isto significa exatamente?  Significa que a Terra tem uma capacidade para lidar com todos os elementos que a compõem dentro de um sistema e, ao ultrapassá-los, colocamos em riscos a capacidade das gerações futuras de se desenvolverem.


Durante a nossa história passamos por diversos ciclos de desenvolvimento. Nascemos na África há 200 mil anos, nos espalhamos para outras regiões, inventamos a agricultura, domesticamos animais e plantas, travamos batalhas e guerras, passamos por diversas revoluções, como a agrícola e, mais recentemente, a industrial. Chegamos a sete bilhões de habitantes e logo seremos nove bilhões (veja mais no blog anterior).


Assim, atualmente somos sete bilhões de pessoas produzindo, consumindo e ávidas por tecnologias e bens de consumo. Isso tem gerado um enorme acúmulo de resíduos, muito além do que o ambiente é capaz de reciclar; extração desenfreada de recursos minerais e energéticos, podendo causar o seu esgotamento e poluindo o ambiente; alto volume de emissões de gases de efeito estufa (GEE), alterando o ciclo natural do clima; desmatamento e extinção de espécies; dentre tantos outros.


Mas então, quais seriam exatamente os limites que nos cercam? De acordo com a equipe de trabalho do Stockholm Resilience Centre, são eles:


1. Mudanças climáticas;

2. Perda da integridade da biosfera (perda de biodiversidade e extinção de espécies);

3. Destruição do ozônio estratosférico;

4. Acidificação dos oceanos;

5. Fluxos biogeoquímicos (ciclos do fósforo e do nitrogênio);

6. Mudança do sistema terrestre (por exemplo, o desmatamento);

7. Utilização da água doce;

8. Carga atmosférica de aerossóis (partículas microscópicas na atmosfera que afetam o clima e os organismos vivos);

9. Introdução de novas entidades (por exemplo, poluentes orgânicos, materiais radioativos, nanomateriais, e microplásticos).


Juntos, esses sistemas formam um todo integrado para guiar o desenvolvimento humano na nossa era, entendendo que o planeta é um sistema autorregulador complexo. De acordo com Johan Rockstrom, chefe das pesquisas, esses nove sistemas podem se comportar como os três mosqueteiros: “um por todos e todos por um”. Se degradamos florestas, ultrapassamos o limite na terra e também danificamos a capacidade do sistema climático de permanecer estável. Apesar de ainda não sabermos exatamente como esses limites interagem entre si, um fato é bem claro: precisamos que eles funcionem de maneira adequada para a nossa sobrevivência.


Pensando dessa forma, é possível fazer um paralelo interessante com os famosos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). De acordo com Rockstrom e Pavan Sukhdev, só é possível atingir todos os desafios sociais e econômicos se tivermos um espaço seguro no planeta, como ilustra a imagem abaixo, batizada como “bolo de casamento”.


Representação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Fonte: Stockholm Resilience Centre[1]


Interessante notar que os quatro ODS da base, intitulados como biofesra, são também limites planetários, ou seja, sem eles não é possível zerar a fome, a pobreza, tornar as cidades resilientes, reduzir desigualdades, promover o crescimento econômico sustentável e inclusivo, dentre outras necessidades.


Diante desse cenário, fica a dúvida: estamos provendo a base que precisamos para atingirmos os ODS?


Em um estudo atualizado publicado pela revista Science em 2015, Rockstrom afirma que já conseguimos ultrapassar quatro dos nove limites identificados e estamos caminhando para cruzar os demais. A tabela abaixo resume qual o limite máximo que podemos atingir e atual estágio deles[1].


Os nove limites planetários



Parece a hora de levantar as mãos para o céu e rezar. No entanto, hoje nós temos a capacidade de reverter esse quadro. Por exemplo, já temos tecnologia limpa para gerar energia que não resulta em emissões de GEE. A agricultura tem avançado, produzindo cada vez mais em espaços menores,sem necessidade de desmatar e ainda possibilitando o sequestro de carbono. Sem contar que já estamos revertendo o buraco na camada de ozônio. Então, basta tomarmos as decisões corretas.


A Pangea Capital tem como missão promover o equilíbrio entre os capitais humano, social, manufaturado, intelectual, financeiro e natural. Acreditamos no trabalho conjunto para a tomada de melhores de decisões. Um por todos e todos por um!


Texto escrito por Lígia Carvalho, colaboradora da Pangea Capital.



[1] Disponível em: http://www.stockholmresilience.org/research/research-news/2016-06-14-how-food-connects-all-the-sdgs.html

[2] Disponível em: http://ideas.ted.com/the-9-limits-of-our-planet-and-how-weve-raced-past-4-of-them/

0 visualização

PANGEA CAPITAL

[email protected]

+ 55 11 2307.0018

Rua Cônego Eugênio Leite, 933, Cj. 131

Pinheiros | São Paulo | SP | CEP 05414-012

UMA EMPRESA DO GRUPO

Radicle_Logo_coral.png