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TEM BOI NA LINHA?

Nº29



10 DE AGOSTO, 2015


“Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo”, dizia a carta de Pero Vaz de Caminha, datada de 1500, sobre a fartura das terras brasileiras.


Muita coisa mudou de lá para cá, mas o que permanece imutável é a nossa habilidade de fornecer alimento em abundância. A cada ano, batemos recordes de produção e somos um dos principais exportadores de produtos agrícolas do mundo.

Na agenda climática, a agropecuária brasileira tem potencial para bater outros recordes. Se o que está previsto no Novo Código Florestal e no Plano ABC (ver box mais abaixo)[1] forem implementados no campo, podemos ao mesmo tempo reduzir as emissões de GEE, sequestrar uma quantidade enorme de carbono no solo e florestas e criar grandes fazendas de serviços ecossistêmicos, tornando o país mais resiliente às mudanças do clima.


A pecuária brasileira, em especial, tem um potencial assombroso de mitigação de emissões. Segundo estimativas do Observatório ABC[2], seria possível evitar a emissão de 670 milhões de toneladas de CO2e e ainda armazenar 1,10 bilhão de toneladas de CO2 no solo.


É possível intensificar a produção de gado com investimento inicial baixo, com recursos do fundo do Plano ABC. Os benefícios vão além das questões climáticas como, por exemplo, a redução de pressão sobre desmatamento, proteção dos corpos d’água e a conservação da biodiversidade e transbordam para os campos sociais e econômicos.


Esta visão mais holística guia inclusive um movimento importante que cresce no Brasil capitaneado pela Coalizão Brasil - Clima Florestas e Agricultura[3]. Uma aliança empresarial voltada à proteção e uso sustentável de florestas, mitigação de emissões de GEE, agricultura sustentável e adaptação às mudanças climáticas.


Encabeçada por organizações como CEBDS, Diálogo Florestal, Instituto Ethos e Observatório do Clima, a Coalizão formulou 17 propostas. Dentre elas ressaltamos a proposta 16 (eixo florestal agrícola), que pretende tornar a agropecuária de baixo carbono majoritária em todo o Brasil. Dentre todas as propostas, o diálogo aponta a necessidade de melhorar o monitoramento das emissões no campo, bem como tornar os dados mais transparentes e de fácil aplicação.


Contribuindo para este monitoramento, desde 2012, o World Resources Institute (WRI) estabeleceu no país o Projeto GHG Protocol Agropecuário[4]. Em 2014, lançou a Ferramenta de Cálculo do GHG Protocol Agropecuário, que permite às empresas brasileiras do setor e aos produtores um cálculo mais preciso de suas emissões e uma forma de reporte mais transparente (leia mais em O GHC e o ABC). Um projeto construído em parceria entre Embrapa, Unicamp e Pangea Capital, com contribuição de mais de 100 especialistas de diferentes setores.


Outro importante projeto sobre o tema é o “Carne Sustentável- do campo à mesa[5]” da The Nature Conservancy (TNC) em parceria com Marfrig e Walmart, no qual consultores da Pangea também estão envolvidos. Neste, somos responsáveis por construir um arcabouço de indicadores ambientais para monitorar e avaliar os compromissos assumidos pelos produtores no acesso ao crédito. O objetivo é formular um modelo de produto financeiro ou mecanismo de crédito rural para o desenvolvimento da pecuária de baixo carbono, aplicável, inicialmente, na região de São Félix do Xingu – PA, onde atualmente a falta de regularização fundiária limita o acesso ao crédito.


No entanto, apesar das iniciativas apontadas, ainda existem três grandes desafios para que estes projetos piloto ganhem escala e se se tornem a prática comum no país:


  • Governança (a coordenação entre diversos atores);

  • Transparência e monitoramento sobre os resultados do crédito concebido pelo Fundo ABC;

  • Capacitação dos milhares de produtores rurais espalhados pelo Brasil.


Roberto Strumpf, sócio-diretor da Pangea Capital


A Pangea Capital acredita que uma agricultura sustentável e de baixo carbono é chave para o bem estar perene e compartilhado, possibilitando segurança alimentar, equilíbrio ambiental e crescimento econômico.


[1] http://www.observatorioabc.com.br/sumario-executivo-invertendo-o-sinal-de-carbono-da-agropecuaria-brasileira?locale=pt-br  [2] http://www.agricultura.gov.br/desenvolvimento-sustentavel/plano-abc [3] http://www.coalizaobr.com.br/ [4] http://www.ghgprotocol.org/Agriculture-Guidance/Vis%C3%A3o-Geral%3A-Projeto-Brasil-Agropecu%C3%A1ria [5] http://www.tnc.org.br/por-que-a-tnc/trabalhamos-em-parceria/nossos-apoiadores/pecuaria-legal-boas-escolhas-do-campo-a-mesa.xml

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