PANGEA CAPITAL

contato@pangeacapital.com.br

+ 55 11 2307.0018

Rua Cônego Eugênio Leite, 933, Cj. 131

Pinheiros | São Paulo | SP | CEP 05414-012

  • Pangea

SÃO PAULO PRECISA DE SÃO PEDRO? - PARTE 2

Nº23



27 DE MARÇO, 2015


No texto anterior, vimos que jogar a responsabilidade para São Pedro não é a melhor opção para justificar a crise hídrica que o Sudeste do país, e em especial São Paulo, estão experimentando.  A raiz do problema é humana, e não divina. 


Desafios similares já foram superados no passado, gerando casos inspiradores e lições valiosas para guiar nossos tomadores de decisão. Os exemplos mais aplicáveis devido as mesmas proporções Paulistanas são das cidades de New York[1] e Bogotá[2]. Logicamente cada uma dessas cidades teve sua jornada rumo à segurança hídrica, com questões específicas a serem solucionadas, mas chama a atenção em ambos os casos duas iniciativas centrais nas estratégias de gestão implementadas:


1. Ações de remediação: mitigação da poluição existente com programas de saneamento, de novas infraestruturas de tratamento de esgotos e de gestão de resíduos implementados principalmente nas comunidades ao redor dos mananciais.

2. Ações de prevenção: programas de proteção e restauração ambiental focados nas matas ciliares e redução das potenciais descargas de contaminantes através de programas de aquisição e manejo de terras.


Nota-se que no caso paulistano problemas graves envolvendo tanto prevenção quanto remediação, conforme tratado na Parte I deste texto, mas o desafio vai além. Houve erros de investimento de longo prazo (que diminuiu as reservas em relação ao aumento populacional), de operação (mesmo com os níveis baixos ainda continuou se extraindo o mesmo volume que em épocas normais) e por um azar, o clima (que não ajudou e nem tem previsão de ajudar a solucionar a equação). Portanto, algumas medidas adicionais e urgentes precisarão ser implementadas para sairmos dessa situação perigosa.


Inicialmente será essencial aumentarmos a capacidade de estocagem de água, só assim teremos uma cidade mais resiliente para lidar com outras estiagens que com certeza virão.

Para subir o estoque, será necessário a construção de novas represas cada vez mais distantes da capital, como  é o caso do sistema São Lourenço, localizado a 80km e previsto para ser entregue em 2018. No entanto, com reservatórios cada vez mais distantes, o custo de transporte dessa água aumenta consideravelmente, tornando-se uma alternativa cada vez menos viável.  


Outra obra de emergência em andamento é o chamado “hidroanel”.  A interligação do Rio Pequeno ao Sistema Rio Grande, ambos braços da represa Billings, para abastecer os sistemas Guarapiranga e Alto Tietê, permitirá a entrada de 2,2 m3 de água por segundo. No entanto, a obra mal começou e já enfrenta alguns problemas. Prevista para ser entregue também em 2018, não seria uma solução imediata, além de ter níveis de poluição consideráveis, sendo necessário desenvolver uma estrutura de tratamento que não é feita do dia para noite.  Outro risco que se corre é, ao injetar água poluída em um sistema limpo, comprometer todo o sistema interligado por conta da qualidade da água.


Estes projetos de infraestrutura serão alívio apenas no médio prazo e, até lá teremos que nos virar com o que temos. Isso significa de um lado a sensibilização da população para a redução no consumo e, do outro lado, mudanças profundas na forma de funcionamento da Sabesp.


Os chamados contratos de demanda firme da empresa de abastecimento do Estado foram idealizados em 2002 para fidelizar grandes consumidores. Com descontos de até 75% na tarifa da agua para organizações que consomem mais de 500m3 por mês, a Sabesp tem hoje uma política que vai na contramão da solução da crise e incentiva o uso irracional da água.


Portanto, é urgente uma mudança na métrica utilizada para avaliar o desempenho da Sabesp. Hoje a cobrança é feita por m3 distribuídos. Quanto mais melhor, certo? Errado! Ao invés disso, a empresa poderia pagar ao consumidor pelo m3 de água não consumido e vender esse volume de volta ao Estado, como se estivesse prestando o serviço de proteção de um dos nossos recursos mais valiosos.


Equipe Pangea Capital


A Pangea Capital acredita que o mundo é movido a água e que, em breve, esse recurso será mais valioso e estratégico do que o petróleo. Por meio de análise de risco, estratégia de redução no uso e adaptação ao cenário de escassez, estamos aptos a auxiliar empresas e municípios a elaborar um plano de ação visando a redução de riscos e a adaptação a um novo cenário de escassez (para mais informações leia no blog, “Setembro chove?”).


[1] Nova Iorque: http://site-antigo.socioambiental.org/banco_imagens/pdfs/10366.pdf página 84[2] Bogotá: http://siteresources.worldbank.org/INTLAC/Resources/257803-1351801841279/BogotaEstudodeCasoPOR.pdf

0 visualização