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SÃO PAULO PRECISA DE SÃO PEDRO? - PARTE 1

Nº22



20 DE MARÇO, 2015


É difícil definir o que é sustentabilidade. A palavra foi explorada ao máximo e já causa o mesmo enjoo que aqueles hits musicais pegajosos. “Because I’m hapyyyy...”.


Mas o que quer que seja a sustentabilidade, São Paulo é sua antítese.

Daqui o texto poderia tomar vários caminhos: mobilidade, poluição, áreas verdes, relações humanas, resíduos, etc. Mas água é o hit do momento e não dá para perder a oportunidade de tocar nesse assunto também.


Quando cruzamos mentalmente os termos água e São Paulo o que vem em mente? Para muitos surge de primeira a nossa antiga marca registrada, a garoa - que já não existem mais há tempos. Em segundo lugar talvez os nossos grandes Rios Pinheiros e Tietê, transformados em esgotos a céu aberto – lá tem de tudo menos água. E, por fim, mas não menos importante, as enchentes – nossa nova marca registrada.


Palavras como seca, crise e rodízio são novas no imaginário paulistano, mas antigas para os que estudam o assunto com um pouco mais de profundidade. Na verdade esta não é a primeira seca que enfrentamos, São Paulo já viveu momentos áridos em 1953, 1969, 1985 e 1994, bem registrados nas fotos publicadas pela Folha de São Paulo.


Mas desta vez o problema tomou proporções maiores, e os motivos são foco de debates políticos calorosos. Passamos pela pior estiagem dos últimos 50 anos, e culpar São Pedro pela situação é tentador pois pega a nossa responsabilidade e de nossos governantes e joga lá no Céu. A verdade é que a estiagem apenas se soma a uma série de problemas cuja raiz é humana.


O crescimento populacional atrelado a ocupação desordenada nos mananciais de São Paulo provocou o desmatamento das margens dos reservatórios. Essas matas funcionam como grandes esponjas, pois têm a capacidade de absorver a água de uma chuva forte, alimentando o lençol freático e liberando aos poucos através das nascentes, evitando enxurradas e a erosão das encostas. Outra função complementar destas matas ciliares é a de filtragem, pois impedem o despejo de grandes quantidades de detritos e poluentes especialmente durante fortes chuvas. Esponjas, filtros, cílios, são todos metáforas para explicar os chamados serviços ecossistêmicos, foco do nosso post #13.


Para complementar esse cenário temos a questão de planejamento e infra-estrutura: redes de distribuição sucateadas e mal mantidas causam perdas de mais de 30% nos sistemas da Sabesp. O volume de água perdida, entre 2011 e 2012, aumentou em 85,7 bilhões de litros, o equivalente para abastecer uma cidade com mais de 1,1 milhões de habitantes, como Campinas. Em 2012, foram perdidos 986,6 bilhões de litros por conta de falhas na rede de distribuição e por desvios irregulares - 14 milhões de vezes maior que a quantidade de água usada por cada habitante do Estado, estimado em 66,8 mil litros por ano pelo Sistema Nacional de Informações de Saneamento (Snis) do Ministério das Cidades, em 2011. Redes de drenagem mal dimensionadas e inoperantes também prejudicam o escoamento das chuvas, que juntamente à impermeabilização do solo é a formula perfeita para afundar a cidade, literalmente.


As mudanças climáticas explicam em parte a maior frequência de ocorrência de chuvas intensas e de secas prolongadas nos últimos anos. Mas enquanto nos preocupávamos, com razão, com os impactos do desmatamento na Amazônia, nos esquecemos de cuidar do quintal de casa.


Portanto, respondendo ao título do texto, não podemos colocar a culpa da situação em São Pedro ou nas mudanças climáticas. A crença de que água é um recurso infinito está na origem da crise atual e exige uma mudança de postura de toda a sociedade. Está na hora de nos responsabilizarmos pelos problemas que criamos 


Equipe Pangea Capital

(continua no próximo post)

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