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REDUZIR OU COMPENSAR?

Nº12



06 DE MAIO, 2014


Compensações voluntárias de emissões de GEE é assunto relativamente novo na agenda das empresas. A prática cresceu no rastro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, mecanismo de mercado do Protocolo de Kyoto vigente desde 2005, juntamente ao mercado voluntário que se mantém em torno de 100 milhões de tCO2e comercializadas ao ano desde 2008, segundo relatório State of the Voluntary Carbon Markets 2013. No entanto, as compensações voluntárias ainda estão distantes de atingirem todo o potencial como ferramenta de mitigação das mudanças climáticas.


O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) emite anualmente um relatório intitulado Emissions Gap em que apresenta a lacuna de reduções entre os compromissos realizados pelos países até 2020 e o que é necessário para manter a temperatura média global em patamares seguros, abaixo de 2ºC. A versão mais recente, de 2013, apresentou uma estimativa de que chegaremos em 2020 com este déficit sendo entre 8 a 12 bilhões de toneladas de CO2e ao ano, ou seja, é preciso reduzir esta magnitude de emissões além dos compromissos nacionais feitos atualmente para nos mantermos no limiar seguro de temperatura.


Dos 100 milhões movimentados pelo mercado voluntário para 8 bilhões de toneladas a serem reduzidas para mantermos os 2ºC, há muito espaço para ação. E empresas são peças-chave nesta jornada. 


No cenário corporativo, tudo se inicia com o conhecimento do volume emitido através da realização de um inventário de GEE. Ao se conhecer a pegada, parte-se para a mitigação dos impactos, para a qual há basicamente 2 caminhos: 


(1) Reduções próprias: ações internas que visam economia de recursos, melhoria de processos e/ou troca tecnológica por esforços da própria organização;


(2) Compensações: pagamento para que terceiros realizem as reduções através de projetos que promovem a economia de recursos, melhoria de processos e/ou troca tecnológica. Na prática, trata-se de uma terceirização da redução de emissão.


Embora seja simplesmente isto, há uma complexidade conceitual. Muitos nomes representam as compensações, dependendo do contexto. Elas podem ser créditos de carbono, neutralização de emissões, offsets, reduções de emissões verificadas, toneladas de carbono equivalente, ou até mesmo, indo para o campo da “sopa de letrinhas”, CERs, VERs, VCUs, RVEs, etc.


Compensações podem até ser confundidas com permissões para poluir. Esta interpretação é parcial, pois, se há uma atividade que está reduzindo emissões para a atmosfera, o impacto positivo desta independe de sua origem, se interna ou externa aos limites da empresa, contanto que ela aconteça. 


Além disso, muitas das reduções que acontecem em projetos independentes entregam diversos benefícios socioambientais adicionais. Por exemplo, caso uma empresa compense suas emissões financiando atividades que evitem o desmatamento de florestas nativas, a redução das emissões na floresta acontecerá, e ainda com ganhos socioambientais associados:  comunidades tradicionais serão beneficiadas com o desenvolvimento de uma economia local baseada no uso sustentável da floresta e a biodiversidade será estudada, monitorada e preservada. Paralelamente, a possibilidade da empresa em realizar reduções internas continua latente. Uma ação não impede a outra. 


A questão é que apenas compensar não é suficiente, assim como apenas reduzir também não é. Uma gestão de carbono madura não adota o “ou”, mas o “e”: reduzir e compensar, como duas ferramentas complementares. 


A Pangea Capital e a Biofílica, parceiros para projetos de compensação de emissões, acreditam que o caminhar para uma gestão de carbono madura nas empresas, que inclua a mensuração, redução e compensação das emissões, é inexorável. Até que se alcance um mundo em que o avanço da energia renovável, da eficiência energética e de novas formas de produção e consumo permitam uma emissão líquida de GEE zero, a compensação será aliada importante para que o caminho do baixo carbono seja trilhado de forma custo eficiente, com escala adequada e com co-benefícios socioambientais.


Texto escrito pela colaboradora Mariama Vendramini, Diretora da Biofílica.

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