QUAL O SEU CHAPÉU?

Nº18



11 DE NOVEMBRO, 2014


Eventos extremos relacionados à mudança do clima que aconteciam a cada 500 ou mil anos estão ocorrendo quase que anualmente. Essa é apenas uma das diversas estatísticas que Al Gore, ex-vice-presidente americano, apresentou durante um evento do Climate Reality Project, ocorrido em novembro de 2014, no Rio de Janeiro. 


Outros dados nada animadores também são abundantes nas conclusões do último relatório do IPCC, publicado no início de novembro. Apesar da complexidade em se estabelecer conexões entre essas conclusões e o nosso dia-a-dia, passamos do estágio da ignorância ou negação em relação ao assunto e, uma vez cientes, nos tornamos responsáveis.


Nem sempre sabemos o que precisa ser feito, mas a convergência de valores e visões é a raiz da mudança necessária. Imagine um mundo onde haja garantia de água na torneira do paulistano e de comida no prato do morador do sertão nordestino, onde exista respeito aos povos indígenas no Xingu e tolerância à diversidade religiosa e étnica no Oriente Médio e onde não exista mais os conflitos na Ucrânia e a poluição tóxica em Beijing. Parece que não, mas todos esses eventos têm alguma relação com as mudanças climáticas e suas principais causas: o desmatamento e nossa dependência de combustíveis fósseis. 


Esses valores comuns, como por exemplo, respeito, tolerância, transparência, equilíbrio, responsabilidade socioambiental e a vontade de mudança afloram enquanto estamos no papel de irmãos, filhos e pais. É o chapéu que nos veste enquanto nutrimos valores alinhados com o desejo de um bem estar comum e perene, a tal sustentabilidade.


Então, por que não provocar agora as mudanças necessárias para o futuro que queremos? Os fatos são mais claros do que nunca, temos a tecnologia e os recursos financeiros para tal. No entanto, o tempo, recurso não renovável extremamente valioso, está ficando escasso.


Apesar disso, das 9 às 18hs dos chamados “dias úteis” vestimos o chapéu de gerentes, assessores, diretores, ministros, presidentes e CEOs e parece que automaticamente nossos valores mais profundos são deixados de lado em prol do resultado. Mas qual resultado? Resultado para quem?


Durante muito tempo, temos sido pressionados por um sistema produtivo, pela sociedade ou por nós mesmos a deixar um pouco do que acreditamos em casa, antes de irmos trabalhar. Mas, empresas pioneiras têm percebido o risco desse distanciamento de valores para com seus colaboradores, assumindo que sua conexão com a sociedade vai além dos preços de suas ações ou resultados e que há uma responsabilidade maior. Elas vêm promovendo mudanças para destruir muros criados pelo capitalismo de shareholders e construindo pontes que aproximam valores em prol de um novo capitalismo de stakeholders. Jay Coen Gilbert, um dos fundadores da certificação B Corp, aprofunda esse assunto em sua palestra no TED Talks.


Assim, como exemplo de empresa, podemos citar a Unilever e seu CEO, Paul Polman, que defende que fazer dinheiro pelo dinheiro não é mais uma motivação para a nova força de trabalho e que hoje jovens buscam colaborar com negócios com os quais compartilham valores e que buscam promover um impacto positivo no mundo.


Além disso, muitos outros sinais, como o colapso do mercado financeiro em 2008 ao movimento Occupy Wall Street, também atentam para essa necessidade de uma reconexão a valores básicos e a uma melhor forma de se fazer negócios. Este anseio é pulsante na nova geração da força de trabalho, composta por jovens nascidos após 1980, que encaram suas carreiras como extensões de suas personalidades e valores. É a chamada Geração Y, muito bem retratada no vídeo produzido pela agencia BOX1824.


All work and all play (legendado) from Box1824 on Vimeo.


No entanto, por detrás deste movimento há um grande paradoxo. Em um mundo de abundância, o sistema econômico pregava a competição e escassez como o motor do desenvolvimento. Mas, no momento em que nós realmente entramos na era de recursos escassos, poluição e conflitos, a linguagem dos negócios inovadores se aproxima de relações de colaboração e justiça social.


Há, portanto, uma nova forma de ver e fazer negócios, uma oportunidade onde todos ganham. 


Roberto Strumpf, sócio-diretor da Pangea Capital


A Pangea Capital acredita que valores não podem ser trocados como um chapéu e que quanto mais próximo um profissional estiver do que acredita, melhor e mais realizado será.

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