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QUAL A SUA PEGADA?

Nº42



29 DE SETEMBRO, 2016


Nossa passagem pelo mundo deixa muitos rastros. Ao contrário do que costumamos pensar, essas marcas não são apenas de pneus nas rodovias e estradas de terra ou pegadas na areia. Nossos rastros estão muito mais ligados com o nosso estilo de vida. O que produzimos, consumimos e descartamos, o que vestimos, o que comemos e como nos locomovemos são apenas alguns exemplos que impactam no nosso rastro, ou melhor, na nossa pegada.


Com a nossa evolução, principalmente após a Revolução Industrial, instalamos um sistema produtivo de consumo e descarte que ultrapassou a biocapacidade do planeta, ou seja, a capacidade dos ecossistemas em produzir materiais biológicos úteis e absorver os resíduos gerados pelo ser humano.


E o que isso significa?


Significa que o homem tem cortado árvores mais rápido do que elas são capazes de crescer e florescer, tem pescado mais peixes do que os oceanos podem repor e emitido mais carbono do que as florestas e oceanos podem absorver. Exemplos não nos faltam. Para citar um, a Islândia, na década de 80, vivenciou um colapso de bacalhau. Além disso, cada vez mais sofremos com recordes de temperatura e desastres ambientais devido ao acúmulo de gases de efeito de estufa (GEE).


Assim, há mais de 40 anos, a nossa demanda sobre a natureza tem ultrapassado a capacidade de reposição do planeta. É como se entrássemos no cheque especial, gastamos mais do que temos. Para ter uma ideia, hoje seria necessário 1,5 planeta Terra para fornecer todos os serviços ecológicos (alimentos, água, controle da qualidade do ar, disponibilidade

de terra, etc.) que usamos no nosso dia a dia e que movimenta a economia.


Como sabemos disso tudo?


Atualmente há três tipos de ferramentas, que são complementares, conhecidas como “família de pegadas” capazes de mensurar variáveis ambientais. Duas mais específicas, a pegada de carbono e a pegada hídrica, e outra mais abrangente, a pegada ecológica. Todas elas tentam capturar de diferentes formas as pressões do consumo humano sobre os recursos naturais, também conhecidos como capital natural.


A pegada de carbono mede a quantidade total das emissões de GEE causadas diretamente e indiretamente por um produto, ou seja, é a mensuração das emissões que ocorrem ao longo do seu ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima até a disposição final. Através do cálculo da pegada de carbono, é possível determinar as fases do ciclo de vida do produto mais representativas em termos de emissões e estabelecer os focos necessários para gestão das emissões.


A pegada hídrica, por sua vez, demonstra as conexões entre o consumo humano e o uso de água, assim como as ligações entre o comércio global e o gerenciamento dos recursos hídricos. Na primeira situação não é considerado somente o consumo direto de água pelo indivíduo, comunidade ou negócio, mas também o quanto de água é utilizado na produção de bens e serviços. Já na segunda, trata-se do conceito de água virtual, ou seja, água que faz parte do fluxo comercial mundial embutida nos produtos.


Por fim, a pegada ecológica mede a quantidade de terra biologicamente produtiva necessária para prestar os serviços ou gerar produtos que usamos: áreas de cultivo, pastagens, áreas urbanizadas, estoques pesqueiros e produtos florestais. É justamente ela que nos fala sobre a quantidade de recursos disponíveis (biocapacidade) em escala local e global e a capacidade de regeneração de biosfera. Um dos indicadores dessa pegada é justamente a pegada de carbono.


A figura abaixa apresenta os componentes da pegada ecológica e o estado atual deles. É possível notar que em 1970 ultrapassamos pela primeira vez o limite de um planeta Terra e a partir daí a pegada ecológica mundial não parou mais de crescer. Vale ainda ressaltar que o carbono derivado da queima de combustíveis fósseis é o principal componente da pegada ecológica da humanidade. Em 1961, o carbono respondia por 36% de nossa pegada total, enquanto em 2010 atingiu 53%.


Figura 1. Os componentes da Pegada Ecológica

Atualmente, a média da Pegada Ecológica mundial é de 2,7 hectares globais por pessoa. Já a brasileira é de 2,9, ou seja, bastante similar à média mundial. No entanto, quando olhamos para o estado e cidade de São Paulo, esse valor sobe consideravelmente. A Pegada Ecológica média do estado de São Paulo é de 3,52 hectares globais per capita e de sua capital, a cidade de São Paulo é de 4,3. Se convertêssemos em planetas, ao invés de 1,5 da média mundial, seriam necessárias duas Terras (WWF, 2012)[1].


Mas então, se já ultrapassamos a capacidade do planeta, o que esperar para o futuro?


As projeções para o ano de 2050 não são nada animadoras. Se continuarmos com o mesmo estilo de vida que temos hoje, precisaremos de mais de dois planetas para nos prover e ser sumidouro de tudo que produzimos, consumimos e descartamos.


Neste contexto, torna-se fundamental a mensuração do capital natural através de ferramentas como as da “Família de Pegadas”. Por meio delas é possível entender as fases do ciclo de vida mais críticas, como por exemplo, as mais carbono-intensivas ou mais dependentes de água, bem como adotar estratégias para a redução do uso de recursos naturais e gerenciamento da cadeia de valor.


A Pangea Capital acredita que é fundamental a gestão dos recursos naturais, bem como o engajamento de toda a sociedade para a adoção de um estilo de vida mais sustentável. Para isso, temos trabalhado com ferramentas de mensuração e valoração do capital natural, bem como com o engajamento através de workshops técnicos e comportamentais dos setores público e privado.


Texto escrito por Lígia Carvalho, colaboradora da Pangea Capital.


[1] Disponível em: http://d3nehc6yl9qzo4.cloudfront.net/downloads/sumario_executivo_planeta_vivo_2014.pdf

[1] Disponível em: http://d3nehc6yl9qzo4.cloudfront.net/downloads/pegada_ecologica_de_sao_paulo.pdf

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