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Pandemia ou cura?

Atualizado: Abr 17

Nº 59


07 DE ABRIL, 2020

É tempo de introspecção e reflexão, de perceber que a vida é frágil e que nossa liberdade de ir e vir mais ainda. Tempo para fazer um balanço sobre como temos agido lá fora, no nosso dia-a-dia como cidadão e como parte de uma comunidade global.


Por Roberto Strumpf*

Uma reflexão solitária tem o potencial de mudar hábitos tóxicos que impactam negativamente nosso corpo, nosso trabalho e nossa relação com as pessoas que amamos. É isso que torna um retiro algo tão especial.

Já uma reflexão compartilhada tem o potencial de mudar os pilares que regem o mundo. É como se, de repente, desligássemos essa máquina de moer chamada cotidiano, com todos os seus ruídos que nublam o sentir e o questionar. Em "um piscar de um vírus", a poluição decanta, o som dos pássaros ressurge e os paradigmas do que chamamos de desenvolvimento mostram sua real fragilidade. Se estamos insatisfeitos com o caminho traçado até aqui, a oportunidade de um retiro global é agora e o que pode sair dessa experiência única só cabe a nós.

Estamos doentes e não é de hoje. Se somos um sucesso absoluto em termos evolutivos, considerando apenas a perpetuação de nosso DNA, no nível do indivíduo o que se vê é o oposto. Uma foto do mundo hoje apresenta os 26 indivíduos mais ricos do mundo com um patrimônio igual ao dos 3,6 bilhões mais pobres, ou metade da população do planeta. Há de se pensar, então, que a felicidade é má distribuída também, mas o que invariavelmente se vê no topo da pirâmide é um vazio preenchido com supérfluos, seguidores e antidepressivos. Tomando como referência o filme do último século, a continuação dessa história só tende a distanciar os lados em recursos materiais e aproximá-los em miséria, seja física ou de espírito.

No pilar ambiental o cenário piora e, ao contrário de algumas conquistas em saúde, educação e segurança social, não há um indicador sequer que podemos nos agarrar para buscar esperança de tempos melhores. A água potável é cada vez mais escassa, a biodiversidade menos diversa e estes são agravados pela crise climática. Nessa trajetória, amanhã ou depois voltaremos às ruas mas no longo prazo nosso destino estará fadado ao confinamento, e não será por falta de aviso.

Por outro lado, é só espiar pela janela para perceber uma crise dessa magnitude apresenta um lado positivo. O ar está mais limpo, o trânsito não deixa saudades, as relações humanas estão mais afetuosas e até as emissões de gases de efeito estufa tiveram uma queda drástica em alguns lugares do mundo. Impossível não questionar o porquê das coisas não serem assim sempre. O que disso tudo podemos levar para o novo mundo?

A característica aguda de uma pandemia a torna estarrecedoramente real, como um tapa na cara que arde, te faz olhar para outro lado e depois passa mas deixa a lembrança. Ela aciona os mecanismos de reação mais ancestrais em nosso cérebro: a fuga, o refúgio, a sobrevivência. A crise climática, que é crônica em essência, não gera o estalo necessário para despertar nossos instintos. Se a morte não for tão tangível quanto uma UTI lotada, agimos de forma irracional, consumindo recursos como um vírus que se prolifera até que seu hospedeiro padeça.

Em 1972 o ambientalista Britânico James Lovelock criou a “Hipótese de resposta da Terra”, que pouco tempo depois ficou conhecida como Teoria de Gaia. A hipótese defende que a Terra é um único grande organismo vivo e, ainda que as evidências científicas para tal pensamento sejam polêmicas, é fato que os sistemas que controlam seu bom funcionamento são todos interdependentes, como as massas de ar, correntes oceânicas, ciclos de chuvas e temperatura global, entre outros. Frente aos tempos atuais, é bem razoável pensar que nosso Planeta tem algum tipo de sistema imunológico e que a toxicidade de nosso estilo de vida atingiu um nível que despertou sua reação.

Portanto, o momento que vivemos é histórico e propício para uma reflexão profunda. No âmbito pessoal é uma oportunidade inédita para darmos valor a tudo o que tínhamos como certo na era pré-COVID19, como a conexão com a natureza, com nossos amigos e parentes. No contexto global, perceber que o caminho que trilhamos até aqui está equivocado e provar a nós mesmos que temos a capacidade de colaborar para ajustar essa rota. Os pilares desse novo mundo devem ser a ciência, a verdade e a busca pelo equilíbrio entre economia, sociedade e ambiente.

O retiro forçado pode se tornar um buraco ou um portal, o resultado vai depender da nossa capacidade de re-priorizar o que é importante.

*Roberto Strumpf, Diretor da Pangea Capital.

A Pangea está em quarentena, porém mais ativa do que nunca, se apoiando virtualmente em sua rede de colaboradores e trabalhando para transformar essa crise em uma cura.

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