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O QUE O MICO TEM A VER COM ISSO?

Nº13



19 DE MAIO, 2014


Historicamente o movimento ambientalista tem se apoiado no risco de extinção de espécies animais para divulgar e engajar a sociedade na causa da conservação ambiental. Nesta estratégia a imagem de espécies carismáticas como, por exemplo, o mico-leão dourado, o urso panda, ou a onça pintada foram exaustivamente usados. 


Esta abordagem tem méritos, mas também grandes limitações. Primeiro porque ela parte do pressuposto de que a sociedade e suas organizações públicas e privadas têm um grau de sensibilidade tal qual ao dos ambientalistas, uma forma de ver o mundo que possibilita entender e dar valor ao direito de existência de uma dada espécie e tomar decisões importantes para preservá-las. Em segundo lugar porque ao focar na parte (a espécie carismática) falha em apresentar a importância do todo (ecossistema) para o equilíbrio do Planeta e a importância deste equilíbrio para o bem estar do homem. Há, portanto uma falha de comunicação que, por falta de pragmatismo, reduz o potencial de crescimento de uma agenda absolutamente importante para a sustentabilidade, a da conservação da biodiversidade.


A biodiversidade se apresenta através dos bilhões de genes das milhares de espécies que compõem os ecossistemas da Terra. Estas são as peças de um maquinário único e cujos produtos são extremamente diversos, conhecidos em conjunto como serviços ecossistêmicos. Nossa sociedade e economia dependem fortemente dos serviços ecossistêmicos de diversas formas diferentes, e estes serviços dependem da biodiversidade para funcionar. 


Os serviços ecossistêmicos podem ser desde os mais tangíveis como água, alimentos, fibras, princípios ativos de remédios e cosméticos, até os mais subjetivos como o bem estar proporcionado por uma bela vista da Serra do Mar. Em geral eles são classificados em 4 categorias, como segue: 


Serviços de provisão: mercadorias ou produtos advindos dos ecossistemas, como por exemplo, alimentos, matéria prima, água e recursos medicinais.Serviços de regulação: benefícios obtidos a partir do controle dos processos naturais pelos ecossistemas. Exemplos: regulação do clima, da qualidade do ar e das chuvas, sequestro e armazenamento de carbono, moderação de eventos extremos, polinização, controle biológico, fertilidade do solo, dentre outros.Serviços de suporte: processos naturais tais como os ciclos de nutrientes e a produção primária que sustentam todos os outros serviços..Serviços culturais: benefícios não materiais obtidos a partir do contato com os ecossistemas, incluindo benefícios estéticos, espirituais e psicológicos, como por exemplo, recreação e saúde física e metal.


A Mata Atlântica é uma potencia em serviços ecossistêmicos. Mesmo  com toda a devastação sofrida durante o processo de ocupação de nosso país, este bioma possui uma enorme importância socioambiental e econômica, pois exerce influência direta na vida de mais de 80% da população brasileira. Por exemplo, calcula-se que a Mata Atlântica garanta o abastecimento de água a mais de 120 milhões de pessoas. Só o Sistema Cantareira abastece 46% da população paulistana, onde se localiza este importante fragmento de Mata Atlântica. Além disso, os remanescentes da mata regulam a vazão dos rios, atenuando as enchentes e, após as chuvas, permitindo que a água escoe gradativamente.

Portanto, se a beleza e o carisma de um mico-leão dourado não são o bastante para influenciar a tomada de decisão em prol da preservação, a benção de um bom banho ou de um copo d’água provavelmente será.


Roberto Strumpf, sócio-diretor da Pangea Capital


A Pangea Capital acredita no direito de existência de cada espécie do Planeta, e também na gestão sustentável dos serviços ecossistêmicos para a resiliência de empresas e cidades e, consequentemente, o bem estar humano.

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