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O QUE É SUCESSO PARA VOCÊ?

Nº46



06 DE JULHO, 2017


“O PIB não mede a nossa astúcia, nem a nossa coragem, nem a nossa sabedoria, nem o nosso conhecimento, nem a nossa compaixão, nem a devoção ao nosso país.

Em poucas palavras, o PIB mede tudo, exceto aquilo que torna a vida digna de ser vivida.”


O trecho acima foi retirado de um discurso famoso feito em 1968 pelo então candidato à presidência dos Estados Unidos Robert F. Kennedy. Meses depois, Kennedy foi assassinado em um hotel em Los Angeles e o mundo perdeu um líder com visão bem a frente do seu tempo.

Robert Kennedy, março de 1968


Passados 48 anos da sua morte, o que mudou no mundo? Estamos medindo o que realmente importa?


O discurso é até hoje lembrado como uma das mais enfáticas críticas ao sistema de métricas utilizado para mensurar e reportar a riqueza das nações. Desde então, muitas foram as tentativas de se emplacar um sistema global de indicadores que pudesse representar o bem estar das populações de forma mais fidedigna. A busca foi por indicadores que pudessem contrapor, ou ao menos balancear, o nível de priorização que damos ao capital financeiro ou manufaturado, em detrimento de outros capitais[1] essenciais para uma possibilitar uma “vida digna de ser vivida”.


O FIB (Felicidade Interna Bruta) foi um deles. Criado pelo rei do Butão Jigme Singye Wangchuck, em 1972, o conceito de FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana surge quando o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material são simultâneos. Vale ressaltar que um dos pilares mais importantes do FIB é “Resiliência Ecológica na base do Desenvolvimento Sustentável”. O indicador é até hoje o mais importante guia para a tomada de decisão dos governantes do país, que pode estar longe de ser uma potencia econômica mas tem um dos povos mais felizes do mundo. O que é mais importante?


Nem o famoso IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) foi páreo para desbancar o PIB do papel de astro da história recente e, consequentemente, as grandes decisões do mundo tem sido feitas com base em métricas erradas ou, no mínimo, incompletas. Essa falta de visão sistêmica, junto a um pensamento de curto prazo, moldaram a forma ocidental de pensar, agir e interpretar sucesso.


A crise econômica que varreu o mundo em 2008 é um ótimo exemplo, entre 2008 e 2012 foram gastos algo em torno de 10 trilhões de dólares como ajuda dos governos às instituições financeiras que estavam a beira da falência. Enquanto isso, no âmbito das discussões sobre as mudanças climáticas, negocia-se desde 2009 a injeção de apenas U$100 bi por ano em um fundo climático global criado para ajudar os países subdesenvolvidos na transição para uma economia de baixo carbono. Mesmo com milhões de vidas em jogo, o assunto é ainda um impasse.


No âmbito empresarial os indicadores tradicionais também maquiam a realidade, uma ilusão contábil que apenas se mantém por nossa incapacidade de pensar para além do ano fiscal ou das paredes do escritório. Com isso, as chamadas externalidades socioambientais se multiplicam, em um verdadeiro furto aos estoques de capital natural.


Valorar essas externalidades não é nada trivial devido a forma pulverizada e diversa com que ela se materializa. Um exercício feito pela GIZ, CEDBDS e Trucost em 2015 chegou a quantia de R$1.646 bilhões em custos não precificados de capital natural utilizados por empresas brasileiras.[2]


Mas a conta acaba vindo e os juros muitas vezes superam os custos de uma boa gestão. É a perda da licença social para operar aqui, a interrupção das operações por falta d’água ali, ou a destruição da reputação junto com toda uma cidade por conta da ruptura de uma barragem. Em muitos casos, não há tempo ou recurso que corrija o erro.


Por outro lado, a elevação do capital natural ao mesmo nível de importância que o financeiro representa uma oportunidade gigantesca para nosso país. A implementação de paisagens produtivas sustentáveis no Brasil, que conciliam conservação e produção, representa maior resiliência para a produção de hidroeletricidade, combustíveis renováveis e alimento, pilares importantes do no nosso.................PIB!


Em suma, o capital natural é a base do bem estar social e econômico, conforme sugere o infográfico apelidado de “bolo de casamento” elaborado pelo Stockholm Resilience Center, onde os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável são organizados em camadas, tendo aquelas relativas ao capital natural e produção de alimentos na base de tudo (Figura 1).[3]


Fonte: Stockholm Resilience Center


Preservação ambiental é visão estratégica e assim deve ser tratada. É, portanto, urgente a inclusão do capital natural nas métricas que quantificam sucesso em todos os níveis gerenciais. Nessa agenda só há ganhadores, sendo o Brasil é maior deles. Felizmente, já é possível ver no país lideranças empresariais incorporando essas novas métricas nas suas tomadas de decisão.


Roberto Strumpf, sócio-diretor da Pangea Capital


A Pangea Capital é uma consultoria especializada em gestão estratégica do capital natural. Apoiamos empresas e municípios na mensuração, valoração, reporte e capacitação relacionados a indicadores ambientais como o carbono, água e biodiversidade.


[1] Hoje são reconhecidos 6 capitais ao todo: financeiro, manufaturado, humano, social, intelectual e natural. Para mais informações: http://www.pangeacapital.com.br/#/oque

[2] http://cebds.org/wp-content/uploads/2015/07/GIZ-Natural-Capital-Risk-Exposure.pdf

[3] http://www.stockholmresilience.org/research/research-news/2016-06-14-how-food-connects-all-the-sdgs.html

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