• Pangea Capital

NAVEGANDO EM MARES REVOLTOS

11 DE FEVEREIRO DE 2020



O que podemos observar em termos de tendências e sinais de mudança nesta década que se inicia


Juliana Lopes e Roberto Strumpf*


Em tempos de transição como o que vivemos, caracterizado ainda por muita confusão e instabilidade, a capacidade de observar tendências e sinais de mudanças torna-se crucial para traçar estratégias tanto no âmbito pessoal quanto profissional. Por isso, convidamos você a fazer esse exercício de reflexão conosco a partir de alguns acontecimentos dessas primeiras semanas de 2020 que relacionamos a seguir.


1. A nova ordem é regenerar

Em janeiro de 2020, a Volans e a EcoVadis, lançaram o estudo “Procuring a regenerative economy”[1], como resultado do trabalho da iniciativa Tomorrow’s Capitalism, focada no papel da liderança corporativa e como as empresas podem promover ativamente a mudança sistêmica. As conclusões desse trabalho apontam para uma evolução progressiva da agenda de negócios: de compliance para resiliência e regeneração. A economia regenerativa é caracterizada como aquela que serve as pessoas[2] e contribui para a regeneração dos sistemas que mantêm a vida. Eles incluem processos naturais que geram alimentos e insumos; regulam as condições ambientais como a absorção de CO2 pela fotossíntese das florestas; regulação do clima; polinização de plantas; controle de doenças e pragas etc.


Entre os destaques deste estudo, está um caso brasileiro com o selo Origens Brasil e a experiência de venda de orgânicos à preço justo do Instituto Feira Livre. Entre as recomendações do estudo, destaca-se a necessidade de redefinir a lógica da prática de compras de uma abordagem linear da cadeia de valor, em que os fornecedores são tratados como um custo externo a ser minimizado, para a criação de valor nos sistemas biológicos, sociais e industriais. Para que isso seja possível, profissionais de compras precisam ser incentivados a priorizar os resultados sociais e ambientais - juntamente com as metas financeiras - e serem recompensados por isso para superar a atual mentalidade centrada apenas no preço.


2. Integração de questões Ambientais, Sociais e de Governança (ASG), o novo normal

As questões ASG no centro das discussões do Fórum Econômico de Davos, que, em sua edição em 2020, resgatou a ideia de capitalismo de stakeholders, uma evolução do “capitalismo shareholder”, voltado apenas para o interesse dos acionistas. Trata-se de voltar os interesses das empresas ao “stakeholder”, ou seja, a qualquer um que dependa — diretamente ou não — do sucesso da companhia. Isso inclui acionistas, funcionários, a comunidade local e outras empresas na cadeia produtiva. Essa não é uma ideia nova. Ela foi descrita por Klaus Schwab pela primeira vez em 1971, culminando com a criação do Fórum Econômico Mundial com o objetivo de ajudar lideranças empresariais e políticas a aplicá-lo. Mas precisou que jovens em manifestações por todo o mundo lembrassem esses representantes do senso de urgência de agir diante de desafios globais como a mudança do clima. Por isso, o capitalismo de stakeholder foi destaque no Manifesto de Davos por uma melhor forma de capitalismo novamente na edição de 2020, o que pode ser observado no Manifesto de Davos[3].


Em resposta a pressão da sociedade, entre a comunidade financeira, ganha corpo um movimento por uma nova economia. Os investidores começam a se dar conta de que ações prejudiciais à sociedade também prejudicam os negócios e destroem valor para os acionistas. Essas foram palavras de Larry Fink, CEO da BlackRock, maior investidor institucional do mundo, que em sua carta anual às empresas investidas destacou a sustentabilidade como novo padrão de investimento. Também anunciou o compromisso da firma de integrar aspectos ambientais, sociais e de governança integralmente à gestão dos portfólios e ativos até o final de 2020.


Fink, também destacou que “os investidores estão procurando entender tanto os riscos físicos associados às mudanças climáticas, quanto as formas pelas quais as regulamentações terão impacto nos preços, custos e demanda em toda a economia.”[4]

Essa tendência também foi apontada no State of Green Businness 2020[5], relatório anual de tendências da GreenBiz, que destacou a mensuração de riscos físicos e de transição associados às mudanças climáticas.


3. Remoções de carbono, uma nova moeda

Relatórios recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas deixaram claro que a redução de emissões por si só não é suficiente – também precisaremos remover bilhões de toneladas de gases de efeito estufa da atmosfera para evitar uma mudança climática irreversível. Essa é uma das tendências destacadas no State of Green Business 2020. “A ideia de que as empresas podem reduzir suas pegadas de carbono pagando outras organizações para reduzir as emissões de gases do efeito estufa tem cerca de duas décadas. Mas o uso de novas tecnologias e a ênfase na remoção de CO2 da atmosfera ao invés de apenas reduzir as emissões, juntamente com a chegada de novos compradores, a maioria notadamente da indústria da aviação, trarão grandes mudanças para o mercado de compensações de carbono em 2020 e adiante”, aposta o estudo.


Ainda nesta década, a discussão sobre sustentabilidade precisará avançar no sentido da transformação efetiva dos sistemas econômico, social e político, de modo que os negócios prosperem por causa – e não apesar de – seu compromisso com a criação de valor: econômico, social e ambiental. Assim, cada vez mais as empresas serão avaliadas pela sua capacidade de gerar benefícios para a sociedade e o ambiente, em processos que levem em consideração as demandas das múltiplas partes interessadas, o que inclui as pessoas e os ecossistemas, responsáveis pelos processos naturais que sustentam a vida.


Juliana Lopes, consultora associada da Pangea.

Roberto Strumpf, sócio diretor da Pangea.


[1] https://volans.com/wp-content/uploads/2020/01/Procuring-a-Regenerative-Economy-FINAL.pdf [2] https://medium.com/age-of-awareness/towards-a-regenerative-economy-bf1c2ed6f792 [3] https://medium.com/age-of-awareness/towards-a-regenerative-economy-bf1c2ed6f792 [4] https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/01/14/ceo-da-blackrock-divulga-carta-e-anuncia-mudanca-no-padrao-de-investimento.ghtml [5] https://www.greenbiz.com/webcast/state-green-business-2020

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