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MUDANÇA DE HÁBITO?

Nº36



23 DE FEVEREIRO, 2016


Com o fim do carnaval o ano começa de verdade em terras tupiniquins. Finalmente é hora de tirar da gaveta e colocar em prática as metas de ano novo.

Metas geralmente envolvem mudanças de hábito que proporcionam benefícios para o nosso bem estar. A comunidade e o planeta também são considerados, mas são coadjuvantes na hora de pular as ondinhas e fazer desejos. Não se culpe, faz parte da natureza humana.


Aliás, culpa é um sentimento que tem sido usado exaustivamente na história da sociedade para controlar comportamentos. Boa parte das grandes religiões atuais chegou onde estão se utilizando muito bem desse sentimento.

A surpresa está no fato de que, no intuito de mobilizar as pessoas a considerar suas comunidades e o planeta nas suas decisões e hábitos, o movimento da sustentabilidade tem se apoiado demais no mesmo sentimento de culpa. Esta é a origem do termo “eco-chatos”.


Apesar disso, ou talvez por conta de, alterar comportamentos individuais ainda representa a fronteira final para a sustentabilidade, principalmente quando se trata dos hábitos de consumo. Um estudo da National Geographic[1] revelou que, embora o número de consumidores globais que se dizem preocupados com o meio ambiente (61%) tem aumentado desde 2012, o comportamento de compra consciente ou sustentável tem diminuído nos principais mercados, como os EUA, Alemanha e Japão. Há, portanto, uma grande lacuna entre valores e ações.


Os países citados são formados por sociedades que estão entre as mais esclarecidas em relação aos desafios socioambientais deste século e, ao mesmo tempo, mercados que vão muito além das necessidades básicas de consumo individual, como alimentos, moradia e saneamento. Mas por que isso? O consumo de supérfluos não é incentivado pelo nosso lado racional e sim por sentimentos primitivos, dentre eles o mais forte é a vontade de ser admirado e atrair parceiros/parceiras.


Portanto, precisamos afastar a sustentabilidade da culpa e aproxima-la do desejo, precisamos de um movimento eco-cool-sexy!


Por exemplo, reciclar é uma atividade induzida pela culpa, mas não poderia ser um momento de aprendizado e diversão com os filhos? Utilizar menos o automóvel é em geral visto com um esforço altruísta, mas é também a oportunidade de se exercitar, pegar menos transito e ver a cidade de outros ângulos. Comer de forma sustentável pode significar uma ótima experiência gastronômica e perda de peso. Lavar menos o cabelo ou um banho mais curto pode manter o brilho natural e hidratação da pele. Estes são pequenos benefícios, mas quando foi a última campanha de sustentabilidade que prometia quaisquer benefícios pessoais diretos? Onde está o lado legal de ser sustentável?


O modus operandi de persuadir, coagir e nos culpar para o propósito maior da sustentabilidade gera angústia existencial demais para se carregar em um carrinho de compras ou metas de ano novo. Não é de se admirar que isso acabe por gerar essa lacuna entre valores e ações.


A realidade é que a sustentabilidade por ser muito mais interessante do que se vende por ai. Além disso, vivemos em um mundo totalmente conectado em que as fronteiras entre o individuo, comunidade e planeta estão cada vez mais tênues. Pense nisso na hora de colocar em práticas suas metas de ano novo, fica a dica.


Roberto Strumpf, sócio-diretor da Pangea Capital


A Pangea Capital tem como objetivo gerar valor a seus clientes através da redução de seus impactos e vulnerabilidades e da identificação de oportunidades relacionadas a uma nova economia, moldada por um cenário de mudanças climáticas e escassez de recursos.




[1] http://images.nationalgeographic.com/wpf/media-content/file/NGS_2014_Greendex_Highlights_FINAL-cb1411689730.pdf

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