• Pangea

META, PARA QUE TE QUERO?

Nº52



12 DE MARÇO, 2019


Metas com base na ciência servem como bússola para guiar os negócios rumo a uma nova economia, em que o carbono se torna uma métrica cada vez mais relevante para a competitividade.


Estamos dirigindo em uma estrada tortuosa e com chuva quando, de repente, recebemos pelo rádio a informação de que logo adiante uma ponte se rompeu, formando um verdadeiro precipício. Se ainda nos resta algum instinto de autopreservação, a opção mais razoável seria buscar uma rota alternativa. Certo? Porém, em se tratando de mudanças climáticas, decidimos desligar o rádio ou, no máximo, reduzir um pouco a velocidade.


De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), as emissões de gases de efeito estufa tiveram um aumento de 41% desde 1990. Seguindo essa trajetória, projeções apontam que as temperaturas globais podem aumentar entre 3,7°C e 4,8°C até o final deste século (2100) levando-nos a uma mudança climática perigosa e irreversível.


Para frear o aumento da temperatura entre 1,5°C e 2ºC, limite considerado seguro, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas - IPCC adverte que, até 2030, as emissões devem cair 45% em relação aos níveis pré-industriais. Além disso, o mundo deverá alcançar em 2050 uma neutralidade de carbono, ou seja, terá que deixar de emitir mais CO2 do que se retira da atmosfera.


Esse cenário exige transformações “rápidas” e “sem precedentes”, nas palavras dos cientistas do IPCC em seu último relatório, em setores-chave da economia como energia, transporte, indústria e uso da terra. Diante desse alerta da comunidade científica, cabe aos negócios adequarem suas estratégias para uma lógica regenerativa. 


Uma nova economia pode - e deve - surgir a partir de soluções que removam e sequestrem mais carbono da atmosfera do que emitem. Não seria apenas uma economia de baixo carbono, pois desacelerar emissões não é mais uma opção razoável, o que se propõe é uma economia regenerativa, que gera valor ao mesmo tempo em que remove carbono da atmosfera.


No relatório Our Carbon Future, os especialistas da Volans argumentam que tais soluções ajudariam a pavimentar o caminho para reverter o aquecimento global e, simultaneamente, gerar prosperidade econômica para as pessoas. Segundo eles, enfrentar este duplo desafio requer uma mudança radical na forma como usamos o carbono para criar valor econômico.

Nessa nova economia, o carbono se torna uma métrica positiva de produtividade, abrindo espaço para uma série de inovações e oportunidades de negócios.


Esse relatório destaca uma série de exemplos concretos de negócios que representam essa nova economia. Cita o Projeto Drawdown que mapeou 80 soluções que juntas elas reduziriam o CO2 atmosférico em mais de 1.000 gigatoneladas. Estima-se que as economias dessas soluções (distribuídas ao longo de 30 anos) superariam os custos em quase US$ 45 trilhões - equivalente a uma taxa de retorno de aproximadamente 150%.


Alguns exemplos exitosos incluem um protótipo de carpete desenvolvido pela Interface chamado Proof Positive, que incorpora carbono derivado de plantas, removendo assim 1,85 quilos  de CO2 da atmosfera por metro quadrado instalado. Outro caso é o da Covestro, que desenvolveu um polímero à base de CO2 chamado Cardyon, esse produto químico é utilizado em móveis e colchões estofados e tem até 20% da sua constituição vem do CO2.


Diante desse cenário, a adoção de metas baseadas na ciência é uma forma de comunicar que os esforços de mitigação de uma empresa estão alinhados à ambição do Acordo de Paris e também demonstrar que os negócios estão preparados para essa nova economia.


Pensando nisso, a iniciativa global Science Based Targets (SBT), se propõem a discutir metodologias e abordagens para uma meta baseada em ciência e reconhece às empresas que já se comprometeram publicamente com esse nível de ambição.


As metas funcionam como uma bússola para que as empresas entendam onde estão, para guiá-las ao seu destino e para verificarem se estão no curso correto durante sua jornada rumo a uma nova economia.


Juliana Lopes, Consultora Associada e Roberto Strumpf, Diretor da Pangea Capital.

A Pangea Capital entende que grandes decisões têm sido feitas com base em métricas erradas, ou no mínimo incompletas, e que para corrigir esse erro precisamos colocar o capital natural no mesmo nível de prioridade do financeiro.

14 visualizações

PANGEA CAPITAL

[email protected]

+ 55 11 2307.0018

UMA EMPRESA DO GRUPO

Radicle_Logo_coral.png

Rua Cônego Eugênio Leite, 933, Cj. 131

Pinheiros | São Paulo | SP | CEP 05414-012