MALTHUS ESTAVA ERRADO?

Nº11



07 DE ABRIL, 2014


Preocupado com o crescimento populacional acelerado, Thomas Robert Malthus, economista britânico considerado o pai da demografia, publicou em 1798 uma série de ideias alertando a importância do controle da natalidade e afirmando que o bem estar populacional estaria intimamente relacionado com crescimento demográfico do planeta. Em sua conhecida equação, o economista defendia que a população crescia em progressão geométrica, enquanto que a produção de alimentos crescia em progressão aritmética, provocando um cenário de fome e escassez de recursos.


Quando Malthus publicou os seus estudos, a população mundial era de aproximadamente 1/7 da atual, o que confirma parte da sua teoria sobre o crescimento exponencial da população nestes últimos dois séculos. Hoje já somos mais do que 7 bilhões de pessoas. Além disso, epidemias de fome em massa surgiram neste período, impulsionadas pela falta de suprimentos alimentícios em certas regiões do planeta, por políticas econômicas falhas, por conflitos militares e, mais recentemente, pelas mudanças climáticas que resultaram na privação de certas populações a  recursos absolutamente essenciais como água e alimento. 

No entanto, nestes dois últimos séculos, os índices sobre a expectativa de vida cresceram de forma expressiva, impulsionados principalmente pelos avanços da ciência e tecnologia que se aplicam às variáveis necessárias ao nosso bem estar, em particular à agricultura. 

Os espetaculares avanços na produção de alimentos permitiram ganhos substanciais nos índices de quilocalorias/pessoa&dia. Exemplos claros são os países como a China que, entre 1961 e 2007, mais do que dobraram a sua produtividade, acompanhando o crescimento populacional. 


Produção de alimentos ( kilocalorias/pessoa&dia) X Renda per Capita ( Gapminder, 2014)


Então Malthus estava errado?


Não! O problema anunciado por Malthus no século 18 pode ter sido apenas adiado por mais algumas décadas. As previsões demográficas indicam que a população mundial deve atingir 9,6 bilhões de pessoas ao redor de 2050  (United Nations - WORLD POPULATION TO 2300, 2004, p. 12) e que a demanda por alimentos crescerá aceleradamente, acompanhando os níveis de renda alcançados pelo ingresso de bilhões de seres humanos na classe média. 

Para este cenário não há uma solução única, mas já se sabe por onde começar. Estudos apontam para um percentual de desperdício e perdas de alimento na ordem de 32% de todo o alimento produzido em 2009, uma taxa absolutamente inaceitável (WRI – UNEP, Reducing Food Loss and Waste, 2013).

Estas perdas e desperdícios representam impactos econômicos e ambientais negativos. Economicamente, representam um desperdício de investimento que pode reduzir a renda do produtor e aumentar as despesas do consumidor final. Ambientalmente, perdas e desperdícios de alimentos provocam uma série de impactos, incluindo emissões desnecessárias de GEE e o uso ineficiente de água e áreas cultiváveis, o que por sua vez podem levar a uma diminuição de ecossistemas naturais e os serviços fornecidos por estes ao homem. 

Portanto, uma guerra contra o desperdício  deve de ser travada se quisermos garantir um futuro alimentar sustentável. Com os preços dos alimentos atingindo altas históricas e a demanda continuando a crescer exponencialmente, a hora é agora.


Equipe Pangea Capital


A Pangea Capital acredita que organizações e comunidades eficientes no uso de seus recursos naturais serão mais bem sucedidas em um provável futuro Malthusiano.


Bibliografia: http://goo.gl/qGHaL1. (s.d.). Acesso em 18 de março de 2014, disponível em Gapminder: www.gapminder.orgUnited Nations - WORLD POPULATION TO 2300. (2004). http://www.un.org/esa/population/publications/longrange2/WorldPop2300final.pdf. Acesso em 14 de fevereiro de 2014, disponível em WORLD POPULATION TO 2300.WRI – UNEP, Reducing Food Loss and Waste, 2013. (05 de 2013). http://www.unep.org/wed/docs/WRI-UNEP-Reducing-Food-Loss-and-Waste.pdf. Acesso em 18 de março de 2014, disponível em UNEP.



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