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MAD MAX ESTÁ CHEGANDO?

Nº39



27 DE MAIO, 2016


Universos pós-apocalípticos ocasionados por eventos extremos como furações, tsunamis e cenários de escassez são cenas normais para filmes, videogames e livros. No entanto, nos últimos anos, o clima anda tão maluco que as mudanças climáticas não são mais ficções científicas para Hollywood. Um exemplo recente é o último filme da série Mad Max, que com seis Oscars foi o mais premiado de 2016, e se passa em uma Austrália pós-apocalíptica dominada por “foras-da-lei” que controlam água, combustível e outros recursos naturais.


De acordo com o cientista-sênior de água da NASA, James Famiglietti, o filme é extremo, mas tem elementos que já estão acontecendo e que só vão piorar com o tempo, como, por exemplo, as secas extremas que atingem a Califórnia e os conflitos entre os países por causa do acesso aos recursos hídricos.


Filmes e entretenimento a parte, os efeitos ocasionados pelas mudanças do clima têm se tornado cada vez mais presentes no nosso dia-a-dia e os primeiros a sentirem os efeitos somos nós e os municípios aos quais pertencemos.


Ocupando apenas 2% do território mundial e com uma previsão de abrigar 2,5 bilhões de pessoas até 2050, as cidades são responsáveis por 70% das emissões mundiais relacionadas à energia, sendo particularmente vulneráveis a enchentes, tempestades, longos períodos de estiagem, aumento nível do mar, dentre outros.

Para contornar esses efeitos, ações apenas de mitigação, ou seja, redução das emissões, já não são mais suficientes. É preciso mitigar e adaptar-se e adaptação pode ser entendida como uma série de respostas aos impactos atuais e potenciais da mudança do clima, com objetivo de minimizar a exposição a possíveis danos e aproveitar as oportunidades. No Brasil, algumas cidades vêm se destacando no desenvolvimento dessas iniciativas, como o Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.


O Rio de Janeiro, em 2015, lançou o projeto Visão Rio 500[1], cujo objetivo é pensar em um Rio de Janeiro melhor até 2065, ano no qual a cidade completa 500 anos. O programa reúne 59 iniciativas e 68 metas organizadas ao redor de seis temas transversais:

Alto valor humano: equidade de oportunidades e cidadania.


  • Rio de Janeiro: fonte de bem-estar, qualidade de vida e dignidade.

  • Cidade verde, sustentável e resiliente.

  • Cidade competitiva, inovadora e de oportunidades.

  • Território conectado, integrado e democrá

  • Governança e reinvenção sustentável da máquina pública.


Nesse contexto, a Pangea Capital foi contratada pelo Banco Mundial para ajudá-los com a evolução do programa. Entre as ações que estamos desenvolvendo, destaca-se a elaboração de cenários de emissões de GEE, no qual não ocorre a implementação de medidas de baixo carbono (cenário business as usual); determinação do potencial de redução de emissão das medidas de mitigação já implementadas ou planejadas pela prefeitura; proposição de novas medidas de mitigação de emissões e determinação do potencial de redução de emissões destas; e auxílio no desenvolvimento do Plano de Ação de Mitigação de Emissões de GEE.


Belo Horizonte, por sua vez, já tem trabalhado com a identificação das principais vulnerabilidades que o município está sujeito devido às alterações do clima. Esse trabalho será utilizado como base para a identificação de medidas de adaptação com enfoque no desenvolvimento e no desenho de instrumentos de planejamento de curto, médio e longo prazos[1].


Já Recife, a partir dos resultados do primeiro inventário, finalizado em abril de 2014, elaborou o Plano de Baixo Carbono, que tem por objetivo reduzir as emissões das principais fontes de GEE. Entre as ações, destacam-se iniciativas de mobilidade, como integração de transporte público e utilização de ciclovias[2].


Essa ação de Recife é extremamente relevante no contexto das mudanças climáticas, uma vez que as principais emissões de GEE de municípios são decorrentes da priorização de sistemas de transportes individuais, o que acarreta não só em prejuízos ao clima, como também a qualidade de vida da população, que gasta horas no trânsito, e prejuízos à saúde, devido ao excesso de poluentes.


Nesse contexto, as cidades possuem um papel fundamental em conciliar o desenvolvimento econômico e social com o combate as mudanças do clima. O relatório da New Climate Energy (2015)[3], lançado pela Comissão Global de Economia e Clima, apresenta 10 recomendações amplas que municípios e tomadores de decisão podem adotar para melhorar o clima e o crescimento simultaneamente. São elas:


  • Impulsionar o desenvolvimento de baixo carbono nas cidades.

  • Recuperar e proteger as paisagens agrícolas e florestais e melhorar a produtividade na agricultura.

  • Investir pelo menos US$ 1 trilhão por ano em energia limpa.

  • Elevar os padrões de globais de eficiência energética.

  • Implementar uma taxação de carbono efetiva.

  • Assegurar que novas infraestruturas sejam climate-smart.

  • Estimular a inovação de baixo carbono.

  • Gerar o crescimento de baixo carbono por meio de ações de empresas e investidores.

  • Elevar a ambição de reduzir as emissões internacionais nos setores marítimo e de aviação.

  • Diminuir o uso de hidrofluorocarbonetos (HFCs).


Assim, para evitar que os cenários de Mad Max e outros filmes apocalíticos cheguem com tudo, é fundamental a participação e o engajamento de cada vez mais cidades e o estabelecimento de parcerias com o setor privado.


A Pangea Capital acredita no potencial das cidades em conciliar o desenvolvimento econômico com o socioambiental. Devido a isso, tem trabalhado na capacitação e engajamento do setor público e privado (clique aqui o material do nosso workshop em parceria com o CDP Cities para 41 municípios brasileiros), na elaboração de inventários de GEE e de planos de mitigação e adaptação junto ao poder público.


Texto escrito por Lígia Carvalho, colaboradora da Pangea Capital.


[1] Disponível em: http://visaorio500.rio/

[2] Disponível em: http://portalpbh.pbh.gov.br/

[3] Disponível em: http://www.kas.de/wf/doc/kas_18560-1442-5-30.pdf?160302153505

[4] Disponível em: http://2015.newclimateeconomy.report/

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