JAMES DEAN OU NELSON MANDELA?

Nº10



17 DE MARÇO, 2014


"Escolha viver. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família... Escolha sua primeira casa. Escolha seus amigos... Escolha o seu futuro. Escolha a vida. Eu escolhi não escolher a vida, escolhi outra coisa." 


O trecho acima foi extraído da fala de Renton, personagem protagonizado pelo ator Ewan McGregor no filme Trainspotting de 1996. O filme conta a vida de um grupo de jovens de Edimburgo que para escaparem do tédio e problemas do dia-a-dia se entregam à heroína. Clique aqui para ver o trecho do filme.

A ideologia de Renton é atraente e se ancora numa máxima atribuída a James Dean, ator norte americano, considerado um ícone de rebeldia e angústias próprias da juventude da década de 1950: viva rápido e morra cedo. Essa escolha é sexy, é intensa, é apaixonante e se levarmos o argumento do livre arbítrio em seu extremo, as pessoas têm o direito a ela. Dizer o contrário seria correr o risco da hipocrisia para muitos que fumam, que bebem, que tomam refrigerante e adoram um toicinho...  

Mas o ponto em discussão aqui não são as drogas, e sim as escolhas. 

A escolha de Renton é insustentável e impacta fortemente a qualidade de vida do personagem. Apesar das viagens “muito melhores do que qualquer orgasmo”, não dá pra dizer que Renton é feliz. Pior do que isso, suas escolhas acabam impactando negativamente as pessoas que estão ao redor dele, isso fica claro no episódio em que o bebê morre por falta de cuidados, ou na briga de bar em que sua turma se envolve por motivo algum.

E aí o livre arbítrio cai em questionamento. Até que ponto é justo a liberdade de escolhas de um indivíduo prejudicar a vida de outras pessoas? Até que ponto o desejo de satisfazer as necessidades presentes de uma pessoa pode comprometer a satisfação de necessidades dos demais, hoje e no futuro?

O sentido de liberdade tem uma relação muito forte com um dos principais personagens da história recente, Nelson Mandela. Madiba, como era chamado, foi um exemplo de persistência e resistência, passou mais tempo na cadeia do que toda a vida de Renton ou James Dean. Refletiu e planejou muito e, quando teve a chance, promoveu uma mudança que impactou positivamente todo o mundo. Seu legado é ainda difícil de ser mensurado, mas sua mensagem é clara e forte: não há liberdade sem igualdade.

Ter escolhas está fortemente relacionado à liberdade, a qual tem lugar de destaque na lista de pré-requisitos para uma vida feliz e um mundo justo. No entanto, somos cada vez mais interconectados e interdependentes de forma que, hoje, uma escolha ressoa em rede para muito além do que os olhos de uma pessoa ou o radar de uma organização podem detectar. Neste contexto, acreditar que uma decisão unilateral, que beneficia apenas umas das partes desta rede, vá realmente garantir o bem estar é uma grande ilusão. 

Extrapolando, se os efeitos colaterais da escolha de um indivíduo podem ser grandes, sejam elas as de Renton, James Dean ou de Nelson Mandela, imagine o potencial de transformação de mundo que as escolhas de uma grande empresa podem ter. A compreensão desta complexidade e responsabilidade deveriam ser pautas prioritárias no estabelecimento de planos estratégicos e metas de resultado.

Roberto Strumpf, sócio-diretor da Pangea Capital


A Pangea Capital tem como um de seus objetivos guiar escolhas que gerem valor e promovam o bem estar perene e compartilhado.

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