INFRAESTRURA VERDE?

Nº38



14 DE ABRIL, 2016


Depois de dois anos com chuvas abaixo da média histórica, este verão está terminando com um índice pluviométrico bastante razoável o que, aliado a uma redução do volume retirado, contribuiu para o aumento significativo do volume armazenado do Sistema Cantareira. Se neste mesmo dia 08 de março de 2015 tínhamos 120 milhões de m³ acumulados no Sistema, hoje temos 577 milhões.


A melhora foi suficiente para o Governador Geraldo Alckmin dizer que temos água para cinco anos de seca! Exagero? Com certeza, pois analisando o histórico do Sistema, pode-se verificar que em março de 2013 o nível acumulado (57%) era o dobro do que em março de 2016 (29%).


A comparação com 2014 e 2015 traz alívio para a população abastecida pelo Sistema, mas se o olhar for mais abrangente (como deve ser o do poder publico e do planejador), a cautela e inteligência no planejamento devem preponderar.



O Sistema Cantareira apresenta, hoje, uma condição ambiental pouco confortável. De acordo com estudo recente da empresa de geoprocessamento Arcplan em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, 76,5% dos 5.082 km de rios que formam o Sistema Cantareira estão sem cobertura vegetal. Sem essa mata ciliar é impossível proteger os rios. A degradação é histórica e sua recuperação é responsabilidade de todos!


O governo do estado tem concentrado seus esforços (investimentos) na transposição de rios, implantação de um novo Sistema (São Lourenço), ou seja, na infraestrutura cinza que é fundamental, mas não a única forma de garantir o abastecimento hídrico no futuro. Investir na proteção dos mananciais que “produzem” a água é essencial para que as nascentes e rios não sequem durante os inevitáveis períodos de estiagem (como o que passamos entre 2013 e 2015 e iremos passar no futuro).


As florestas nas margens dos rios atuam como os cílios, protegendo os cursos de água e garantindo o abastecimento constante dos lençóis freáticos. Essa á a chamada Infraestrutura Verde, ou Infraestrutura Natural – o investimento em ecossistemas naturais saudáveis complementa os sistemas de abastecimento hídrico, garantindo a provisão de serviços essenciais, como a regulação do fluxo hídrico, controle de enchentes além da purificação da água.


Pensando nisso, a Iniciativa Verde, OSCIP parceira da Pangea Capital, já plantou 75 hectares de floresta no Sistema Cantareira, sendo que 50 com o financiamento do BNDES e os outros com o financiamento de empresas privadas. Um ótimo exemplo disso é a Leroy Merlin, que já plantou mais de 100 mil árvores com a Iniciativa Verde, sendo que 21 mil no Sistema Cantareira em função da compensação das emissões de gases de efeito estufa decorrentes de três lojas inauguradas na grande São Paulo em 2015.


Trabalhos como este representam parte essencial do caminho para a construção de uma cidade mais resiliente e saudável, especialmente em um cenário de mudanças climáticas que tornarão as secas cada vez mais comuns.


Por meio de análise de risco, estratégia de redução no uso e adaptação ao cenário de escassez, a Pangea Capital auxilia empresas e municípios a elaborar um plano de ação visando à redução de riscos e a adaptação a um novo cenário de escassez (para mais informações leia no blog passado: “Águas de Março: uma promessa de vida?”).


Texto escrito por Lucas Pereira, diretor-técnico da Iniciativa Verde.

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