FAST FASHION PODE SER SUSTENTÁVEL?

Nº14



06 DE JUNHO, 2014


O conceito de fast fashion, traduzido como moda rápida, vem sendo utilizado como padrão para diversas redes e marcas de varejo. Esse modelo tem como característica principal a habilidade e a velocidade em reproduzir modelos apresentados nas passarelas e oferecer ao público consumidor no momento em que uma tendência está no auge. Devido a isso, o negócio exige rapidez na logística para abastecer os pontos de venda, além de produção em pequenos lotes e modelos que devem ser renovados com frequência. 


Em geral, esse varejo opera um sistema circular de produção/consumo e por isso muitas vezes apresenta consequências socioambientais negativas, como o aumento excessivo no volume de roupas produzidas, muitas vezes oferecidas com preços mais baixos e com qualidade reduzida, tornando-se uma “moda descartável”. 


Além disso, apresentam cadeias de valor com diversos problemas sociais, relacionadas principalmente com as condições de trabalho e segurança em que os trabalhadores das confecções estão submetidos e foco de muito noticiário nos últimos anos, como os recentes casos de uso de mão de obra escrava por grandes marcas, como Zara e Gregory, e o caso do trágico acidente ocorrido em Bangladesh[1], em 2013, no qual mais de mil pessoas foram mortas em um desabamento do prédio em que funcionavam fábricas que forneciam peças às grandes redes, como a sueca H&M. 


A exposição destes problemas tem gerado pressão por parte dos consumidores e resultado em medidas significativas tomadas por empresas e coligações européias e americanas com o objetivo de melhorar a segurança dos trabalhadores e garantir cadeias de fornecimento de roupas mais éticas, transparentes e socialmente responsáveis.


Então, a questão é: fast fashion pode ser sustentável?


Assim como em qualquer outro setor, adotar um modelo sustentável torna-se cada vez mais necessário e tem estimulado mudanças em modelos de gestão, uso de materiais, criação de produtos, desenvolvimento de processos e relações trabalhistas. Com redes de fast fashion não poderia ser diferente, e algumas boas práticas têm surgido, tanto no exterior, quanto no Brasil.


Produção mais sustentável do algodão, práticas de restauração, reutilização, reciclagem e compartilhamento são iniciativas que, apesar de ainda ocorrem em pequena escala, vem mostrando como o setor caminha para um novo modelo. Alguns exemplos dessas práticas são:


  • A H&M, em fevereiro de 2013, lançou uma campanha global de reciclagem de roupa. Nesta campanha, não interessa a marca e nem o estado da roupa, ela pode ter buracos, rasgões ou estar fora da moda há muitos anos. Em troca da roupa, a H&M oferece €5 de desconto numa compra de €30. Todas as peças são enviadas para a Suíça para serem recicladas, reutilizadas ou revendidas (transformadas em novas roupas, panos de limpeza ou têxteis para a indústria do automóvel)[2].


  • A PUMA, em 2013, lançou a linha InCycle, sua primeira coleção segmentada de calçados, roupas e acessórios que recebeu a certificação "Cradle to Cradle Certified [CM] Basic". Os produtos InCycle da PUMA possuem na sua composição materiais biodegradáveis e reciclados podendo ser reutilizado na confecção de outros vestuários. Além disso, para auxiliar no processo de reciclagem, eles lançaram também o programa "Traga-me de volta" ("Bring Me Back") em parceria com a I:CO[3]. 


Ao criar esses sistemas baseados nos princípios da economia circular[4], no qual os clientes são incentivados a trazer de volta as roupas indesejadas que, posteriormente, serão utilizadas como matérias primas em novos produtos, e adotar melhores práticas trabalhistas, com salários mais justos e melhores condições de trabalho, a indústria fast fashion avança em direção a modelos mais sustentáveis. 


Há também o caminho oposto, o movimento slow fashion, uma moda lenta que se orienta por diminuir a rapidez e a frequência com a qual se produz e consome e que direciona mais investimentos em serviços atrelados aos produtos, agregando valor a estes. Outras características do slow fashion são a produção em pequena escala através de técnicas tradicionais de confecção e o uso de materiais e mercados locais. Esse modelo parece promissor, mas é ainda mais difícil de ser implantado, pois depende de uma mudança profunda de comportamento por parte dos consumidores.

Essas soluções já existem, o desafio agora é dar escala.


Equipe Pangea Capital


A Pangea Capital tem como objetivo gerar valor a seus clientes através da redução de seus impactos e vulnerabilidades e da identificação de oportunidades relacionadas a uma nova economia, moldada por um cenário de mudanças climáticas e escassez de recursos.


[1] Disponível em:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/04/130428_bangladesh_tragedia_lado_obscuro.shtml [2] Disponível em:http://greensavers.sapo.pt/2013/12/06/hm-portugal-ja-recolheu-nove-toneladas-de-roupa-para-reciclar-com-video/[3] Disponível em:http://www.kering.com/en/sustainability/achievements/puma_incycle_collection[4] Economia circular substitui o conceito de "fim-de-vida" pela restauração. Caracterizando-se por um modelo circular de produção. Maiores informações na nossa próxima matéria. 

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