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CLIMA DE ELEIÇÃO

Nº50



24 DE SETEMBRO, 2018


O mundo está perdendo a guerra contra as mudanças climáticas!


Esse é o título de uma matéria da The Economist publicada em agosto deste ano. Em 2018, mais recordes climáticos foram quebrados do que em qualquer outro verão no Hemisferio Norte. Da California ao Japão, os eventos impressionam:


  • A Noruega estabeleceu um novo recorde nacional de temperatura máxima em 17 de julho em Bardufoss, quando as temperaturas subiram para 33,5 ° C;

  • Montreal, no Canadá, também estabeleceu seu recorde de alta temperatura de todos os tempos (36.6° C), durante uma onda de calor no início de julho.

  • A África testemunhou sua temperatura mais alta já medida de forma confiável. Em Ouargla, Argélia, foram registrados 51,3 ° C;

  • O Vale da Morte, na California, estabeleceu um recorde para o mês mais quente já registrado na Terra, com temperatura média de 42,2° C;

  • O Japão estabeleceu um recorde de temperatura nacional de 41,1 ° C, em uma onda de calor que se seguiu a inundações e mais de 125 mortes


E os recordes não param por aqui, como pode ser visto nesta animação de ondas de calor em 2018: https://www.axios.com/heat-records-temperature-climate-change-map-f82a017b-4383-43d0-ae52-42517138b108.html

Fonte: Axios.com. Adaptado de Robert A. Rohde / Berkeley Earth; Mapa: Harry Stevens/Axios


Apesar das evidências alarmantes, três anos após o Acordo de Paris as emissões globais de GEE continuam subindo, assim como investimentos em combustíveis fosseis.

Um dos motivos é a crescente demanda de energia, especialmente na Ásia em desenvolvimento. Entre 2006 e 2016, conforme as economias emergentes da Ásia avançaram, seu consumo de energia aumentou 40% e o uso do carvão, facilmente o combustível fóssil mais sujo, cresceu a uma taxa anual de 3,1%.


Aqui há de se considerar ao menos um consolo: milhões de pessoas miseráveis têm hoje pela primeira vez acesso à eletricidade. Basta saber agora se serão bem recebidas pelos países ricos quando se tornarem refugiados climáticos.


Até o século passado, seria coerente citar também barreiras tecnológicas como um segundo motivo, mas hoje isso já não é realidade. Não faltam no mundo ideias para realizar o objetivo de Paris, como fica evidente na ótima lista do Projeto Drawdown.


Na verdade, todas as tecnologias necessárias para virar esse jogo já foram testadas e comprovadas como viáveis economicamente. A principal razão para estarmos perdendo essa guerra é a inércia política e econômica, simples assim.


O que mais intriga nessa apatia dos tomadores de decisão é que as quatro principais estratégias para a redução dos impactos climáticos têm múltiplos benefícios que, por si só, justificam investimentos maciços. São elas:


  • Investimento em combustíveis renováveis

Benefícios: reduz poluição local que provoca milhares de mortes todos os anos e aumenta segurança energética dos países, reduzindo a possibilidade de conflitos;


  • Investimento em eficiência energética

Benefícios: reduz gastos em todos os setores da economia e nos governos, possibilitando mais investimentos em inovação, educação, saúde, cultura, entre outros “supérfluos”;


  • Redução no desmatamento

Benefícios: garante uma gama de serviços ecossistêmicos como regulação no ciclo de chuvas, controle de pragas, redução na erosão do solo, enfim, garante nossa produção agrícola;


  • Intensificação sustentável na agropecuária

Benefícios: aumento na produção de alimentos para uma população global em crescimento, redução na necessidade de abertura de novas áreas produtivas e redução na dependência de insumos.



Portanto a dúvida que fica é, a manutenção do status quo interessa a quem?

Lobbies poderosos de industrias carbono-intensivas, e os eleitores que os apoiam, são o principal obstáculo. No Brasil não é diferente e a bancada ruralista “velha guarda”, composta por uma parcela do setor que continua a acreditar na infinitude de terras do Brasil e da indiferença dos consumidores no restante do mundo, trabalha forte para barras ou enfraquecer a legislação ambiental.


A pauta climática é, portanto, uma pauta política de grande importância. A considerar seu impacto na produção de alimento, na infraestrutura, saúde pública, segurança nacional, entre outros aspectos, o assunto já deveria estar hoje no discurso de todos os candidatos da corrida eleitoral.


Porém a situação não é bem assim, como mostra a figura abaixo, resumo de uma pesquisa feita pelo Observatório do Clima com base nas propostas de governo dos principais candidatos à presidência.


Fonte: Observatório do Clima. http://www.observatoriodoclima.eco.br/o-clima-nas-eleicoes/


De um lado, promessas de desmatamento zero, reforma fiscal verde, cumprimento do Acordo de Paris e reconhecimento dos direitos da natureza na Constituição. De outro, propostas como acomodar o meio ambiente em uma pasta dedicada à agropecuária e acelerar licenças ambientais. De acordo com a pesquisa, quando o tema é meio ambiente e clima, os programas dos sete principais candidatos à Presidência da República em 2018 são heterogêneos. 


É importante termos claro que a mudança do clima não é algo exógeno, abstrato e de longo prazo. Ela está ai, todos os dias, mandando sinais de sua magnitude, influenciando crises geopolíticas e o preço de produtos no mercado, gerando prejuízos e mortes.


O assunto é crucial para planejar o desenvolvimento do país. Vale a sua iniciativa em trazer a pauta para a discussão e, principalmente, considera-la na hora do voto.


Roberto Strumpf, Diretor da Pangea Capital.


A Pangea Capital entende que grandes decisões têm sido feitas com base em métricas erradas, ou no mínimo incompletas, e que para corrigir esse erro precisamos colocar o capital natural no mesmo nível de prioridade do financeiro.

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