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CARBONO E SOFTWARE: A COMBINAÇÃO FINANCEIRA DO FUTURO?

Nº55



22 DE JULHO, 2019


Créditos de carbono, offsets, precificação, riscos relacionados às mudanças climáticas, inventários e cenários de emissões etc, etc, etc.


A métrica ambiental traduzida na unidade “carbono”, vulgo emissões, tornou-se tão comumente utilizada que já pode ser considerada uma commodity.


Se ainda não oficial e transacionada em bolsas de valores do mundo todo, em breve será. Assim, o carbono é a moeda do futuro, que poderá ser transacionada online em formato crypto¹ e, mais importante, ajudará o mundo a evoluir de uma economia linear e convencional, para uma economia circular, regenerativa e compartilhada, que considera, na transação econômica, o impacto ambiental relacionado.


Novos modelos econômicos² atrelados à métrica ambiental - carbono - fazem com que cada vez mais empresas e governos a considerem para traçar seus novos planos e projetos. Hoje em torno de 1.300 empresas precificam suas emissões internamente, antecipando futuros riscos climáticos; e mais de 50 jurisdições já estabeleceram políticas a esse favor, seja na taxação de carbono ou em um mercado de emissões³.


Casos Emblemáticos


A Microsoft, grande pioneira no assunto, precifica suas emissões desde 2012. A empresa Ben & Jerrys precifica emissões desde 2015 e sua experiência positiva influenciou a Unilever Holding a colocar um preço nas emissões de sua cadeia de valor. Outras empresas estão se posicionando a favor de zerar suas emissões como Lyft, ou precificar emissões para atingir uma meta de redução como Walt Disney Co. ($10 to 20$/metric ton), Google ($14), e Yale University, que influencia diversas universidades nos EUA à implementarem o mesmo modelo.


A precificação interna (empresarial) de carbono proporciona uma identificação mais precisa dos custos associados às diversas opções de redução de emissões da empresa (em $/tCO2e), de seus investimentos, operações, cadeia de valor, etc. Essa identificação dos custos facilita a comparação e priorização de opções de mitigação à disposição da empresa, o que pode ser feito por meio de análises custo-benefício, por exemplo.

O mundo todo caminha nessa direção, mas ainda muito lento em relação ao ritmo que precisa ser adotado para que os impactos das mudanças climáticas não se tornem irreversíveis.

Esses casos apontam para uma nova tendência na forma como calculamos emissões e fazemos negócios. Trata-se do uso da tecnologia para uma uma visualização holística do problema e das oportunidades, contribuindo para acelerar o ritmo e guiar empresas e governos a adotarem novas formas de fazer negócios e consequentemente, reduzir emissões. Para que tenha valor, a análise de dados ambientais e financeiros deve ser feita e revista anualmente (quando não trimestralmente) para proporcionar informações relevantes de flutuação de operações e mercado. Sistemas automatizados em software, não só permitem o armazenamento e integração inteligente de dados, mas principalmente, permitem o monitoramento constante e integração de informações e pessoas, incentivando a inovação dentro de empresas e governos, e consequentemente, trazendo benefícios financeiros. A PepsiCo reduziu em 90% o tempo de análise e geração de relatórios ao passar a utilizar sistemas de dashboards analíticos em nuvem.

Sistemas em nuvem permitem acessar dados de qualquer dispositivo, de qualquer lugar que a pessoa estiver; e updates automáticos de números, valores ou políticas podem ser acessados instantaneamente, por qualquer pessoa que possua acesso à tal informação. 

Um segundo passo, é a aplicação de inteligência em sistemas virtuais e combinação de padrões que não são visíveis aos olhos humanos, ou são muito custosos de serem implementados por humanos. Por meio da engenharia e ciência de dados, novos mundos se abrem quando começamos a combinar dados que nunca foram combinados anteriormente. Desde sistemas preditivos na cadeia de valor de uma determinada empresa, como até previsão de flutuação de preços futuros de petróleo ou energia renovável, e quais influências esses preços terão na tomada de decisão hoje. 

Existem muitos algoritmos e formas de acessar e cruzar dados de diferentes ciências (física, química, biologia, economia, psicologia, processamento e entendimento de linguagem natural, regressão linear, agrupamento homogêneo/heterogêneo, classificação de atributos, etc.), e aqueles que nos guiarem a um futuro verde e tecnológico, ditarão as regras da nova economia socioambiental que se estabelece. 

Não existe outro caminho a percorrer se quisermos atender às ambiciosas metas de redução de políticas internacionais, e nos mantermos presentes no planeta Terra por mais muitos bilhões de anos. As métricas ambientais, os modelos financeiros e a tecnologia (software ou hardware) estão evoluindo conforme novas demandas surgem, e juntos, eles determinarão o novo modelo econômico circular e virtual do planeta. 

A Pangea Capital vê no carbono a moeda certa para uma economia regenerativa, conectada em rede. A SINAI é uma empresa de tecnologia com sede no Vale do Silício, que está mudando a forma como empresas avaliam impacto e oportunidades em redução de emissões de carbono. A parceria PANGEA + SINAI chega ao Brasil para dar escala a uma nova forma de fazer negócios: resiliente às mudanças globais, com visão de longo prazo e foco na geração de valor compartilhado.


Maria Carolina Fujihara, fundadora e CEO da SINAI Technologies; e

Roberto Strumpf, diretor da Pangea Capital


¹Existem algumas empresas que já transacionam créditos de carbono em blockchain, mas o modelo de crypto considerado como sustentável hoje são as moedas que utilizam “proof-of-stake” e proporcionam redução de consumo energético, exemplo liderado hoje pela BitGreen.

²Em 2018, os economistas William Nordhaus e Paul Romer, compartilharam o prêmio Nobel de Economia, em razão da criação da teoria de taxações e precificação de carbono aos poluidores que danificam o meio ambiente e a saúde pública.

³O Ministério da Fazenda lidera o Projeto PMR Brasil, que tem por objetivo discutir a conveniência e oportunidade da inclusão da precificação de emissões (via imposto e/ou mercado de carbono) no pacote de instrumentos voltados à implementação da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) no pós-2020.

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