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CAPITAL NATURAL: ESSA CONTA FECHA?

Nº49



27 DE JULHO, 2018


A valoração do capital natural é um procedimento que tenta estimar um valor econômico ou precificar os bens e serviços prestados pela natureza.


Esta abordagem pragmática tem ganho força como estratégia para o desenvolvimento sustentável, porque traduz em dinheiro - uma variável de compreensão global - a importância da conservação ambiental.


Pode-se usar a valoração do capital natural como ferramenta para alocar corretamente investimentos, auxiliar na tomada de decisões públicas e privadas, definir tipos do uso do solo, identificar importantes áreas de preservação, ou simplesmente para mostrar o valor da natureza e diminuir sua degradação.

No setor empresarial, ela possibilita o detalhamento em termos financeiros do grau de dependência de uma dada operação em relação aos recursos naturais e serviços ecossistêmicos. Neste caso, a abordagem econômica utilizada é o custo de reposição. Por exemplo, na ausência das abelhas qual seria o custo de se polinizar as laranjeiras uma a uma? Ou ainda, sem as chuvas, quanto teria de ser investido em irrigação para se manter a produtividade de um canavial? Nestes casos, a aplicação principal se dá na gestão operacional.


Quando se trata de analisar os impactos da empresa no ambiente, o emprego de métodos de valoração traz luz a prejuízos ou benefícios ocultos pelas falhas econômicas (as chamadas externalidades). Portanto, neste caso o objetivo central é a transparência.


Existem diversas metodologias de valoração ambiental para a gestão empresarial, agregando complexidade ao processo - Mas alguns passos são importantes e comuns a todas, são eles:


• Definir os objetivos da valoração

Valorar impactos ou externalidades: significa estimar o valor financeiro (positivo ou negativo) de uma dada alteração promovida pela empresa em uma outra parte interessada, como a comunidade no entorno de uma fábrica ou fazenda, por exemplo. Valorar dependências: significa estimar o potencial prejuízo econômico provocado na empresa pela eventual escassez de um dado recurso ou serviço ecossistêmicos, como a escassez hídrica em uma produtora de cerveja, por exemplo.


• Priorizar

Para uma priorização coerente, é importante implementar inicialmente um mapeamento qualitativo amplo das interações entre a empresa e os serviços ecossistêmicos. Em seguida, elencar critérios de priorização como, por exemplo: relevância, possibilidade de gestão do impacto ou dependência, potencial impacto negativo ou positivo para a operação, reputação da empresa, percepção de investidores, etc.


• Mensurar

Aqui inicia-se a parte quantitativa da análise, onde deve ser privilegiada a coleta de dados primários e o levantamento dos indicadores de performance que serão base para o cálculo de valoração. Como exemplos: toneladas de emissões e sequestros de Gases de Efeito Estufa, metros cúbicos de água consumidos ou, de efluentes gerados, área utilizada para a produção, etc.


• Valorar

Finalmente, para se estimar o valor financeiro, é necessário buscar na literatura especializada estimativas de valor econômico para cada indicador de performance mensurado. Há uma série de metodologias e cada uma é alimentada com diferentes premissas. Alguns exemplos de metodologias são: preço de mercado (usada para valorar um impacto na produção de alimentos); Custo Social do Carbono (para cálculo do valor de emissões e sequestros de GEE); Custo de reposição (usado, por exemplo, para os casos de escassez de água); entre outras.


• Por fim, mas não menos importante,  Reportar

Um reporte de qualidade é o principal vetor de geração de valor reputacional para a empresa, seja no relatório de sustentabilidade da própria empresa ou em outras plataformas de relato corporativo como o CDP, ISE, DJSI, entre outros.


Foram estes os passos implementados em um estudo elaborado pela Pangea Capital para a Fibria, onde foram valorados ao todo seis externalidades ambientais da empresa. Com base na análise, a empresa agora tem informações importantes para guiar suas decisões de operação e investimento, bem como para agregar transparência à comunicação com investidores, comunidades e outros atores. Para saber um pouco mais deste estudo, acesse aqui o relatório piloto elaborado pela empresa apresentando parte dos resultados obtidos.


Um aspecto importante sobre estimativas monetárias de valor econômico ambiental é que elas captam apenas uma fração do valor econômico representado pelo bem-estar social. Existem diversos valores que podem ser relevantes para um ou mais grupos sociais, mas que não são comensuráveis nem passíveis de trade-offs. Em geral, trata-se de valores de origem cultural, espiritual e ética, que de forma alguma devem ser ignorados pelas empresas.


Por fim, estimativas de valor econômico são sujeitas a incertezas e imprecisões metodológicas, mas isso não serve de justificativa para ignorá-las. Mesmo incertas, se elaboradas com rigor técnico-científico essas estimativas estarão mais próximas da realidade do que o valor implícito de as ignorar: R$0,00.


Roberto Strumpf, Diretor da Pangea Capital.

A Pangea Capital entende que grandes decisões têm sido feitas com base em métricas erradas, ou no mínimo incompletas, e que para corrigir esse erro precisamos colocar o capital natural no mesmo nível de prioridade do financeiro.

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