AGORA É QUE SÃO ELAS!

Nº45



13 DE MARÇO, 2017


Não podemos negar, a cada ano que passa as mulheres têm conquistado mais e mais direitos. Nunca o assunto igualdade de gênero e feminismo foi tão discutido como nos últimos anos. É só observar as inúmeras campanhas que surgiram: “Meu Primeiro Assédio”, “Chega de Fiu-Fiu”, “Marcha das Vadias” e recentemente neste último carnaval com o “Não é Não”.


A luta das mulheres por seus direitos humanos e trabalhistas é uma velha conhecida de todos nós. Para se ter uma ideia, as primeiras celebrações por este dia ocorreram a partir de 1909. De lá pra cá, muita coisa mudou, mas muita ainda deixa a desejar. E se você acha que as mulheres são mais vulneráveis apenas em questões de direitos humanos, ledo engano meu amigo.


Se considerarmos um dos maiores problemas globais da atualidade, as mudanças climáticas, o gênero feminino também é mais vulnerável que o masculino, junto com crianças e idosos, principalmente nos países mais pobres. Como exemplo, em 1991, durante um ciclone que deixou mais de 150 mil pessoas mortas em Bangladesh, 90% eram mulheres.

A vulnerabilidade às mudanças climáticas é determinada em grande parte pela capacidade adaptativa das pessoas. Um evento extremo, tal como uma seca severa, não afeta todo mundo e nem mesmo um aglomerado familiar da mesma forma. De acordo com o CARE[1], a partilha injusta de direitos, recursos e poder, bem como regras e normas culturais repressivas, constrangem a capacidade de muitas pessoas para agir sobre as mudanças climáticas.


Isto acontece devido a uma série de fatores. Para citar apenas alguns deles, em muitos países as mulheres representam a maior parte dos trabalhadores rurais, ficando mais expostas a eventos climáticos, bem como a perda de remuneração e mesmo de seu próprio alimento devido à diminuição da produção em períodos de seca ou tempestades. Outro fator é a questão da mobilidade. Em pouco tempo, milhões de pessoas terão que abandonar as suas casas, principalmente quem vive próximo ao mar ou em áreas de escassez de água. No entanto, quando essas migrações ocorrem, normalmente, os homens partem primeiro em busca de lugares melhores para se viver, enquanto as mulheres ficam nos lugares afetados com as suas famílias, enfrentando todos os tipos de dificuldades. Mulheres também têm menos acesso a educação e informação e, portanto, menos acesso a tecnologias que permitam a sua adaptação, bem como a participação em processos importantes de tomada de decisão.


No entanto, essas mesmas mulheres também são consideradas peças chave para combater desastres e acolher as vítimas desses eventos climáticos. Falta oportunidade e empoderamento, sobretudo para elas que vivem em zonas de risco. De acordo com a experiência do CARE no tema, as mulheres estão mais preocupadas com os riscos climáticos que homens e mais abertas a conselhos e diálogos, o que fortalece a adoção de medidas adaptativas.


Não é a toa que o gênero feminino tem dominado a agenda de sustentabilidade (dados das Nações Unidas indicam que 80% dos participantes da militância ecológica são mulheres). O chamado sexo frágil tem empatia, sensibilidade, capacidade para lidar com problemas complexos, capacidade de trabalhar em rede e um enorme potencial de transformação de comportamento e indutor de escolhas, fatores esses fundamentais para uma virada sustentável. Considerando apenas a agenda climática, o quadro abaixo destaca o papel que várias delas tem exercido para combater o aquecimento global.


Patricia Espinosa: “Consenso não quer dizer unanimidade, senhor embaixador.” Com essa frase, a então chanceler do México evitou que uma objeção levantada pela Bolívia de última hora botasse abaixo a conferência do clima de Cancún, em 2010, que recolocou nos trilhos o acordo do clima após o fiasco de Copenhague, no ano anterior. A habilidade da ex-chanceler mexicana lhe valeu em 2016 a indicação para chefiar a Convenção do Clima das Nações Unidas, que ela hoje pilota. 


Christiana Figueres: Primeira latino-americana a chefiar a Convenção do Clima, a costa-ricense reconquistou o espaço político que a ONU perdera com o fracasso da conferência de Copenhague. Liderou com a francesa Laurence Tubiana o difícil processo de negociação do Acordo de Paris, ajudando a construir a confiança entre os países que foi crucial para o sucesso da negociação. Rascunhou de próprio punho o texto do objetivo de longo prazo do acordo, encontrando uma formulação que agradasse a países ricos e pobres.


Suzana Kahn: Como secretária nacional de Mudanças Climáticas, a pesquisadora da UFRJ foi uma das responsáveis pela adoção das metas do Brasil em Copenhague, que seriam sedimentadas na Política Nacional de Mudança Climática. Sua gestão iniciou um esforço por transparência no reporte de emissões do Brasil que foi o embrião do SEEG, o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do OC. Produziu o plano de mudanças climáticas do Estado do Rio e ajudou a fundar o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, do qual é coordenadora científica.


Naomi Klein: escritora canadense que construiu a ponte entre o movimento Occupy Wall Street e o ativismo climático, ajudando a criar o caldo de cultura que permitiu ao governo Obama liderar (ainda que por pouco tempo) o processo político que resultou no Acordo de Paris. É autora do best-seller This Changes Everything, que mostra como o capitalismo arruinou o clima da Terra.


Thelma Krug: A matemática brasileira foi uma das criadoras do Prodes, o sistema de monitoramento do desmatamento na Amazônia, e hoje é diretora de Prevenção e Combate ao Desmatamento no Ministério do Meio Ambiente. Vice-presidente do IPCC, será uma das responsáveis pelo aguardado relatório do painel de 2018 sobre os impactos da meta de estabilização do clima em 1,5°C.


Fonte: Observatório do Clima[1].


Estas mulheres são apenas alguns exemplos da extensa lista das que trabalham para um mundo melhor, que vão desde líderes comunitárias, empresárias e empreendedoras, até as guerreiras que lutam contra a seca para alimentar sua família. Só nos resta a agradecer, continuar lutando e parabenizar a todas as mulheres que lutam por um mundo mais sustentável!


Texto escrito por Lígia Carvalho, colaboradora da Pangea Capital


[1] Disponível em: http://www.careclimatechange.org/files/adaptation/Adaptacao_genero_e_empoderamento_

das_mulheres.pdf

[2] Disponível em: https://www.buzzfeed.com/observatoriodoclima/15-mulheres-que-lutam-contra-o-

caos-climatico-1hhiv

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